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Porto: "Um vereador do Bloco é a garantia contra a prepotência da maioria absoluta"

No comício que reuniu os candidatos de todos os concelhos do distrito do Porto, foi transversal a necessidade de combater as maiorias absolutas e os problemas que elas criaram nas últimas décadas, seja nas negociatas de privatização das águas ou do caso Selminho, seja na falta de políticas de habitação acessível.
“Não desistimos da cidade fomos a única oposição à esquerda que não viabilizou os orçamentos poucochinhos de Rui Moreira”, relembrou Sérgio Aires. foto de Fernando Veludo, Lusa..
“Não desistimos da cidade fomos a única oposição à esquerda que não viabilizou os orçamentos poucochinhos de Rui Moreira”, relembrou Sérgio Aires. foto de Fernando Veludo, Lusa..

No comício distrital do Porto deste domingo para as autárquicas, além do encerramento por Catarina Martins, intervieram cabeças de lista do Bloco nos vários concelhos.

Porto: "Modelo da cidade-negócio cria e engorda ricos, mas não cria riqueza"

O candidato do Bloco á Câmara do Porto, Sérgio Aires, criticou a política de Rui Moreira, o “chefe das direitas” que transformaram o Porto numa cidade-negócio.

E relembrou que “a Câmara do Porto ficou na liga dos últimos na resposta à crise pandémica. Enquanto as pessoas se refugiavam nas suas casas e outros desesperavam por um abrigo digno, a primeira medida de Rui Moreira não foi garantir um teto a quem precisava mas sim suspender o regulamento do alojamento local, permitindo mais casas serem capturadas pelo negócio numa senha de salvar o mercado”.

Enquanto o Serviço Nacional de Saúde “dava provas da sua força, Rui Moreira estava preocupado em montar o único consórcio de vacinação que abriu a porta aos privados de saúde, com os resultados conhecidos".

“Enquanto a pobreza aumentava e as desigualdades castigavam o Porto, Rui Moreira dedicou apenas 3,6% do orçamento para medidas de apoio social, recusando por cegueira ideológica a tarifa social da água de forma automática que beneficiaria 19 mil famílias. A resposta que nos dá o executivo municipal de Rui Moreira, é que a água no Porto é muito barata. E se é verdade que é muito barata para Rui Moreira, não deixa de ser muito cara para os idosos com uma pensão de 180 euros, dívidas na farmácia, e para quem 9 euros na conta da água é muito dinheiro”, afirmou Sérgio Aires.

A gestão da crise pandémica foi um espelho dos últimos 8 anos.” Numa governação da cidade onde as direitas seguem um chefe e onde nada mais têm a oferecer que não seja a cidade-negócio. Um modelo de gentrificação que se transformou num tsunami para os concelhos vizinhos com o aumento generalizado do preço da habitação. O modelo da cidade-negócio cria e engorda ricos, mas não cria riqueza", prosseguiu.

“Não desistimos da cidade fomos a única oposição à esquerda que não viabilizou os orçamentos poucochinhos de Rui Moreira”, relembrou ainda.

“Acusado e indiciado pelo crime de prevaricação pelo Ministério Público, Rui Moreira deve ainda uma explicação de porque é que assinou uma procuração que, pela primeira vez, garantia que a sua família tinha direito a uma indemnização caso o Presidente da CM Porto não lhe garantisse o direito de construção num terreno que, afinal, nem era seu”.

E relembrou as palavras de João Semedo: “O caso Selminho é grave. Não é uma invenção nem do Bloco de Esquerda nem da comunicação social. O que é negro é Rui Moreira recusar-se a esclarecimentos. Estranho seria que o caso Selminho não fosse tema de campanha eleitoral”.

“Tinha toda a razão”, continuou por dizer Sérgio Aires. “E que estranho que é e que cobarde que é o silêncio das outras forças políticas neste assunto. Um vereador do Bloco é a garantia contra a prepotência da maioria absoluta”, concluiu.

Gondomar: "Bloco só fará acordos à esquerda e desafia o PS e a CDU a fazerem o mesmo"

Bruno Maia começou por recordar as palavras de João Semedo, em 2005, quando foi candidato à Câmara Municipal de Gondomar: “O Bloco de Esquerda só fará acordos à esquerda e desafia o PS e a CDU a fazerem o mesmo. Queremos contribuir com uma forte votação para uma maioria de votos de esquerda para que o PS não derrape para a direita, nem que a CDU repita o que fez com Valentim Loureiro quando aceitou o pelouro que lhe foi atribuído”.

João Semedo “sabia a importância da ação local na construção do Bloco de Esquerda” assim como “a luta pela educação, saúde ou mesmo a igualdade, que são tarefas de um governo central ou ser resolvidas através de políticas nacionais” que, se são essenciais para garantir equidade territorial. “Do que adianta que um casal de homens ou mulheres se possam casar, se depois têm de ficar fechadas em casa com medo de represálias?”

“De que adianta a câmara ter oferecido contratos aos seus trabalhadores, mas depois faz outsourcing a empresas que usam trabalho temporário?”

O Partido Socialista governa Gondomar com maioria absoluta há oito anos. Recentemente, “autorizou entusiasticamente a construção de um hotel contra todas as regras ambientais. O Bloco denunciou a negociata. Apoiou a formação de um movimento local de moradores contra a construção do hotel. Estivemos na linha da frente para impedir um hotel que agora já não vai ser construído”, afirmou.

E relembrou “a privatização da água lançada pelo major Valentim Loureiro e continuada pela maioria absoluta do Partido Socialista. O Bloco denuncia o contrato e os crimes ambientais que aquela empresa privada, para além dos preços que cobra à população de Gondomar”.

“A maioria socialista em Gondomar vai cair porque há um Bloco de Esquerda que está no terreno e na luta, e na disputa pela construção de maiorias de esquerda”, concluiu.

Gaia: "No início do combate contra as alterações climáticas, éramos tomados como radicais"

Renato Soeiro começou por analisar as conquistas da esquerda nesta campanha autárquica, nomeadamente no que respeita às alterações climáticas, água e habitação.

“A sensação que tenho ao observar os debates é que estamos perante uma enorme vitória política da esquerda. Quando alguns movimentos ecologistas começaram o combate contra as alterações climáticas, éramos tomados como radicais. Hoje, estas questões dominam a comunicação social”.

Sobre o abastecimento de água, “há poucos anos, o PS e PSD lançaram um plano de venda de serviços de fornecimento de água a um conjunto de multinacionais. Onde os executivos camarários eram do PS, o PSD era contra porque não tinha acesso aos proveitos do negócio. Nas câmaras do PSD, o PS era contra. Mas o processo foi avançando, sempre com contratos ruinosos para o interesse público, sempre com a firme intervenção do Bloco”, relembrou.

No entanto, “nestas eleições, não surge uma única candidatura a defender a privatização das águas. Antes, discutem as possibilidades e as condições para procederem à remunicipalização. É nesta discussão que surgem todas as armadilhas dos contratos, contratos que um país decente já teria mandado para a cadeia quem os assinou”.

“Esta campanha mostra com clareza que estamos numa enorme vitória política da esquerda contra a privatização da água”, sentenciou.

Na habitação, “a influência direta dos grandes interesses imobiliários e da banca sobre os partidos de governo, conseguiram que o Estado deixasse as classes médias totalmente nas mãos do mercado para resolver o problema da habitação”. Mas, “finalmente, algo está a mudar. Temos defendido uma política pública de intervenção no mercado de habitação, e os radicais do mercado têm ficado mudos e quedos. Porque sabem que as suas posições não têm qualquer apoio dos eleitores. Isto é uma vitória progressista”.

“No processo de produção das vacinas, as pessoas puderam ver com nitidez o rosto do capitalismo ganhando fortunas com a nossa saúde”. Já pelo contrário, em Portugal, goram garantidas “vacinas grátis para todos. Serviços públicos para as administrar. Ricos e pobres na mesma fila, todos tratados de forma igual. Que é isto se não um modelo socialista? Se, na fase de produção se pode ver o pior do capitalismo, na fase de administração pode-se ver o melhor do socialismo”.

Póvoa de Varzim: "A cidade é para todos quando a populações têm direito à habitação"

Filipa Fonseca, candidata à câmara de Póvoa de Varzim, abriu o comício relembrando que o Bloco define-se “como alternativa às maiorias que arrogantamente estão instaladas nas autarquias, tão inimigas da democracia e daquilo que queremos construir: defendendo uma cidade para todos”.

Para a candidata, “a cidade é para todos quando a populações têm direito à habitação. Porque temos de acabar com a ideia absurda de haver gente sem casa e casa sem gente. Só políticas públicas de habitação fortes são capazes de travar a especulação de mercado”.

Valongo: "Linha entre o valor dos ordenados e o valor das rendas é demasiado fina"

Em Valongo, Nuno Monteiro relembra que “as nossas políticas são para as pessoas e não para obras de troca de pedra por pedra”, como tem acontecido em Valongo onde “centenas de milhares de euros desperdiçados”. Portugal terá milhares de milhões de euros deitados fora se, “em vez de investir, entregar o dinheiro ao capital como tantas e tantas autarquias o fazem por este país fora”.

Por isso, diz, “queremos mais habitação pública. A média de permanência de jovens em casa dos pais é de 30 anos”, “porque a linha entre o valor dos ordenados e o valor das rendas é demasiado fina, muitas vezes tornando impossível uma vida independente. Precisamos também de transportes públicos, aumentando a qualidade de vida dos cidadãos e o ambiente”.

Matosinhos: "Combater as redes clientelares que se extendem pelo aparelho político"

Natural de Matosinhos, Carla Silva considera-se “orgulhosa pelo percurso que o Bloco de Esquerda tem feito pelas pessoas e sustentabilidade do território”, começou por dizer. “Somos o rosto de milhares de ativistas que, dia após dia, não se resignam e lutam pela garantia dos direitos de todas e todos”.

“Na última década, os sucessivos executivos de Matosinhos têm-se limitado a pôr em causa as conquistas de abril, violando reiteradamente o estatuto de oposição e alimentando as redes clientelares que se extendem pelo aparelho político e as suas empresas municipais”.

“Do hotel construído nas dunas da Praia da Memória, ao despedimento coletivo da refinaria de Leça da Palmeira; da instalação de novos pórticos nas ex-scut, ao impasse na contratação pública nos STCP, falta capacidade negocial, de pensar além fronteiras municipais e tomar ações concretas que resolvam os problemas reais dos cidadãos”, defendeu a candidata.

Maia: "As assimetrias são uma evidência"

Silvestre Pereira, candidato à câmara da Maia, criticou as desigualdades crescentes entre o centro da cidade, onde existem serviços públicos diversos, e as periferias, onde nem os transportes públicos estão presentes.

“O poder da direita instalada há 42 anos dá uma imagem de oásis no centro da cidade. Mas a dificuldade é quando alguém se tem de deslocar para a periferia da cidade. As assimetrias são uma evidência. A realidade no centro é penosa para quem vive na perifeira”.

Por isso, diz, “é essencial que o município invista em autocarros para população idosa”. Por outro lado, as freguesias de “Vila Nova da Telha, Fulgosa e Afins ainda não têm unidade de saúde familiar. Se foi possível construir equipamentos desportivos, porque razão não é possível garantir o mesmo na Saúde?”, questiona.

Termos relacionados Autárquicas 2021, Política
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