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Porto: Sérgio Aires quer acabar com a “monocultura do turismo”

O candidato à Câmara do Porto defendeu no debate da RTP que só a eleição de um vereador do Bloco fará a diferença no executivo municipal, com mais transparência e combate ao modelo da “cidade-negócio” de Rui Moreira.
Sérgio Aires no debate entre as 11 candidaturas à Câmara do Porto na RTP.

No debate televisivo na RTP entre as 11 candidaturas à Câmara do Porto, Sérgio Aires, candidato independente que encabeça a lista do Bloco de Esquerda, defendeu que “é possível ter outra cidade” com um modelo alternativo ao da “cidade-negócio imposto pelo executivo de Rui Moreira”. E para o conseguir, é indispensável a eleição de um vereador do Bloco para “trazer ao executivo maior transparência e capacidade de diálogo com os cidadãos, e também uma maior democracia do ponto de vista da decisão e da participação democrática dos cidadãos que têm estado completamente alheados das decisões.

Por outro lado, estas eleições “são uma ótima oportunidade para mudarmos de vida e para melhorarmos o que está mal. Para travarmos esta cidade-negócio, mudar de paradigma económico, para podermos combater a pobreza na cidade e com isso criar outro tipo de crescimento que seja muito mais sustentável quer do ponto de vista ambiental quer social”, prosseguiu o candidato do Bloco.

O financiamento de boa parte das medidas necessárias passará inevitavelmente, segundo Sérgio Aires, pelo Plano de Recuperação e Resiliência e o quadro comunitário que aí vem. E o candidato lançou o desafio a Rui Moreira: “Por uma vez, faça diferente: fale com os cidadãos, ponha essa discussão em público, trabalhe com todos para darmos uma resposta coletiva para a cidade que corresponda aos diferentes objetivos de todos os cidadãos”.
 
Sérgio Aires lembrou o trabalho de oposição que o Bloco protagonizou nos últimos anos na Assembleia Municipal para concluir que “é necessária uma diferença neste executivo municipal e o Bloco faz essa diferença”.

Para sair do modelo da cidade-negócio é preciso “inverter a visão da monocultura do turismo”, uma indústria que é “das mais precárias tanto ao nível de emprego como de salários”. Sérgio Aires destacou o seu “impacto na perda de população, na expulsão de pessoas da cidade, na descaracterização da cidade que leva a que esteja em cima da mesa a possibilidade de perdermos a designação de Património Mundial”.

Descentralização, salas de consumo assistido e o caso Selminho

O tema do debate passou pela descentralização administrativa em curso. Para Sérgio Aires, “independentemente de termos uma transferência de competências na área social, se ela vier a acontecer é importante que seja uma oportunidade para fazer melhor, para se fazer mais próximo das pessoas e em diálogo com as instituições da cidade”. O candidato do Bloco defende que haja “uma forma permanente de diálogo e construção conjunta entre o município e a sociedade civil da cidade” na área das respostas sociais.

O debate passou também pelo “caso Selminho” e a acusação que pode valer a perda de mandato a Rui Moreira. Com todos os candidatos a remeterem a questão para a justiça, Sérgio Aires afirmou que parece que “o Bloco é a única força que acha que o caso Selminho tem uma dimensão política importante”. “É inadmissível que um Presidente da Câmara assuma a obrigação de alterar o PDM para satisfazer o negócio de uma empresa imobiliária. Na altura deste caso, João Semedo teve a oportunidade de lhe dizer olhos nos olhos que era bom que resolvesse esta trapalhada antes que ela se complicasse mais”, recordou o candidato do Bloco.

Na questão da política de prevenção e redução de riscos nos consumos de estupefacientes, Sérgio Aires acusou o executivo de ter passado anos a “tapar o sol com a peneira”, adiando a decisão da abertura de uma sala de consumo assistido proposta pelo Bloco de Esquerda. Durante a pandemia, a ausência dessa estrutura “deixou muitas pessoas desprotegidas”, prosseguiu o candidato, considerando que as salas de consumo assistido, mais do que um simples local de passagem, são “um primeiro passo para um processo de integração e tratamento das pessoas”.

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