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Porto: Sérgio Aires propõe alternativa à "cidade-negócio" de Rui Moreira

No debate televisivo entre as candidaturas à Câmara do Porto, Sérgio Aires defendeu um modelo de cidade "que seja capaz de fixar as populações” e criticou a ausência de oposição no mandato que agora termina por parte dos partidos representados na vereação.
Sérgio Aires
Sérgio Aires no debate televisivo da SIC.

No debate televisivo entre as candidaturas à Câmara do Porto, Sérgio Aires insistiu na necessidade de ter “um modelo de cidade completamente diferente, que seja capaz de fixar as populações”, em contraste com o “modelo de cidade-negócio que Rui Moreira impregnou nesta cidade” e que tem expulsado habitantes ano após ano. “Não só expulsa como castiga, porque é impossível regressar”, acrescentou o candidato bloquista.

Uma das propostas de Sérgio Aires passa pela construção de cinco mil habitações públicas no Porto. O candidato diz que o número não é excessivo, pois já hoje “temos três mil famílias à espera de casa e que não têm resposta”.

“As pessoas não conseguem ter casa nesta cidade. E isto é um tsunami que está a afetar os concelhos vizinhos e vai até ao Minho. Já temos concelhos no Minho que estão a sofrer com esta especulação imobiliária da cidade do Porto”, prosseguiu Sérgio Aires.

Para financiar esse projeto, Sérgio Aires conta com as verbas comunitárias do Fundo de Recuperação e Resiliência e deixou o desafio a Rui Moreira para que diga quais são os seus objetivos “para este financiamento e para o do quadro comunitário que vem aí, até 2027, e que está aberto às questões da habitação”.

Para o candidato do Bloco, o eleitorado do Porto tem uma escolha a fazer no próximo dia 26 de setembro: “Ou queremos gentrificar completamente a cidade do Porto e passar a ser uma Disneylândia, ou queremos de facto conservar aquilo que a cidade do Porto é e devia ser". Se a escolha for esta, ela passa por "um modelo de cidade completamente diferente, que seja capaz de fixar as populações”.

Sérgio Aires refutou as acusações de que esta visão de cidade é contra o turismo. “Somos por um turismo saudável, que aliás é o que os turistas procuram: a cidade do Porto com as pessoas que vivem no Porto cá dentro”. Por outro lado, a “opção de monocultura do turismo” seguida pelo executivo camarário privilegia “uma das indústrias mais precárias do ponto de vista da contratação e dos salários”. Ou seja, “além da especulação financeira e imobiliária, é mais difícil ainda as pessoas viverem cá com esses salários”, concluiu.

“Objetivo é eleger um vereador para reforçar a democracia dentro da Câmara Municipal”

Ao longo do debate, Sérgio Aires ainda teve oportunidade de sublinhar que “uma das coisas que esteve alienada nos mandatos de Rui Moreira foi a participação cidadã” E também de destacar a sua surpresa ao ouvir dos restantes candidatos “um coro de críticas a Rui Moreira quando durante estes quatro anos não foi isso que se passou e na Assembleia Municipal não foi isso que aconteceu”.

No mandato que agora termina, o Bloco protagonizou a oposição ao executivo de Rui Moreira na Assembleia Municipal e Sérgio Aires propõe-se levar essa oposição também à vereação. O objetivo da candidatura bloquista é “eleger um vereador para reforçar a democracia dentro da Câmara Municipal” e impedir uma maioria absoluta que “seria ainda mais uma gestão unipessoal do executivo municipal, que não desejamos”.

Uma prioridade de um vereador do Bloco é a aplicação de um plano municipal de combate à pobreza, que não seja uma declaração de intenções, mas “uma forma diferente de governo da cidade, que contraria a cidade-negócio” e que pode permitir “recuperar as pessoas em pior situação e prevenir a pobreza na cidade do Porto”.

“Queremos que esta cidade tenha cada vez menos automóveis”

No tema da mobilidade na cidade do Porto, Sérgio Aires apontou o local onde o debate se realizava, junto à Câmara Municipal. “Estamos cercados de parqueamento”, pelo que a aposta em mais parques não deve ser o caminho a seguir.

“Queremos que esta cidade tenha cada vez menos automóveis”, defendeu o candidato do Bloco, a par da redução da velocidade em muitas zonas da cidade para 30 km/h, com recurso a passadeiras elevadas e lombas.

Sérgio Aires denunciou ainda a “péssima monitorização da qualidade do ar” que se faz na cidade e que impede que se saiba qual a situação real dos riscos para a saúde pública da poluição no Porto. “Sabemos pouco porque temos poucas unidades de medição e mal colocadas”, acrescentou o candidato do Bloco, lembrando que “a falta de qualidade do ar mata mais que o tabaco e o álcool”.

Acusação no caso Selminho: “Eu não me teria candidatado”

O início do debate foi preenchido com o tema da acusação judicial a Rui Moreira no “caso Selminho”, que em caso de condenação lhe pode retirar o mandato a que agora concorre. Salientando que a posição do Bloco foi clara desde o início, considerando que “a posição que foi tomada não preservou o interesse público e Rui Moreira agiu mal”, Sérgio Aires destacou a “situação complexa” que o autarca acusado coloca nesta eleição.

“É que ao contrário dos outros partidos, trata-se de um movimento e de uma pessoa. As pessoas que vão votar em Rui Moreira votam em Rui Moreira” e não num projeto coletivo. Por isso, entende que “seria uma tragédia enganar as pessoas” e que se o problema se colocasse a si, “eu não me teria candidatado”.

 

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