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Portalegre: “Falta de investimento no interior é a principal causa do atraso”

O despovoamento, o encerramento de serviços públicos, a falta de transportes públicos e a necessidade de reabilitar a cidade foram os temas levantados pelo candidato bloquista António Ricardo no debate entre candidaturas autárquicas a Portalegre.
António Ricardo
António Ricardo, candidato do Bloco à Câmara de Portalegre, no debate na RTP3.

No debate televisivo entre as candidaturas à Câmara Municipal de Portalegre na RTP3, o candidato bloquista começou por reafirmar o seu objetivo de alcançar a maior votação de sempre do partido em eleições autárquicas no concelho.

António Ricardo afirmou que o despovoamento é o principal problema de Portalegre, mas não é o único grande problema. O encerramento de serviços públicos e degradação do parque urbano de Portalegre, “não só habitacional mas também do património histórico-cultural”, são outros dois entraves ao desenvolvimento do concelho e que alimentam o despovoamento.

Para o candidato do Bloco, a baixa taxa de desemprego em Portalegre apresentada no lançamento do debate “parece que é um êxito, mas não é. As pessoas saíram de Portalegre, foram à procura de vida para outros locais, emigraram. É uma cidade deserta, mesmo o centro histórico a partir de certa hora” e “só o Politécnico consegue dar vida” ao espaço público da cidade.

“A falta de investimento no interior é a principal causa da desertificação, do despovoamento e do atraso em que o concelho de Portalegre está”, resumiu António Ricardo.

Boa parte da responsabilidade cabe aos sucessivos governos, cuja política “centralista esqueceu e abandonou o interior”. Exemplo disso é “um transporte estruturante, o comboio: há apenas uma automotora de manhã e outra ao final da tarde. Quando se juntam alunos da escola da GNR e do Politécnico, vai tudo a monte”, afirmou António Ricardo, lembrando que a estação de comboios “fica a 12 quilómetros de Portalegre”. A falta de mobilidade afeta também “as aldeias e os montes sem transportes públicos, com os idosos isolados”. E “o executivo municipal foi incapaz de resolver a situação”, criticou o candidato do Bloco de Esquerda.

Para o candidato, a aposta na reabilitação urbana deve servir para alargar a oferta de habitação em Portalegre. “Se os proprietários não têm capacidade para reabilitar a habitação, a Câmara pode procurar fazer acordos no sentido de a sua habitação ser recuperada e usá-la como habitação pública”, defendeu António Ricardo. Por outro lado, denunciou a existência de “casas emparedadas na habitação municipal” quando há famílias a viver em casas sobrelotadas, situação que considera “inadmissível”.

António Ricardo defendeu ainda que a “reabilitação do principal edifício histórico-cultural da cidade" - a antiga fábrica corticeira Robinson - “pode ser um investimento estruturante não só para o centro da cidade como para todo o concelho”. E por isso “ainda bem que foi chumbado pelo Tribunal de Contas o projeto de entregar a uma unidade hoteleira” a gestão daquele património, concluiu.

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