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Porquê adiar investimentos cruciais para o país para ir além das metas de Bruxelas?

Em debate sobre o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas, Mariana Mortágua critica a gestão orçamental errada de Mário Centeno. Pedro Filipe Soares mostrou estranheza com a perseguição de metas abstratas quando os serviços públicos continuam a precisar de investimento.

No debate parlamentar sobre o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas, o Bloco de Esquerda exigiu a aplicação imediata da folga financeira que resulta de 2017.

Mariana Mortágua defendeu que, em resultado da execução orçamental de 2017, existe agora “uma folga” de 800 milhões de euros que o Governo do Partido Socialista pretende usar numa acelerada consolidação orçamental. Porém, a deputada considera que esta é uma "gestão orçamental errada" e criticou Mário Centeno por afirmar consecutivamente que não há margem para mais investimento público.

Na intervenção de encerramento no debate sobre o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas, Pedro Filipe Soares recordou as palavras de António Costa aquando da discussão do Orçamento de Estado para 2018: “Temos vontade de reforçar o investimento na área da cultura, da educação, da ciência e da saúde, mas não temos folga financeira e por isso não podemos dar um passo maior do que a perna”, questionando-se o líder parlamentar sobre o que tinha mudado em quatro meses e mostrando estranheza que afinal essa mesma folga “seja dirigida para uma meta abstrata de défice para Bruxelas ver, mas para os serviços públicos continuarem a sofrer”.

Pedro Filipe Soares lança o desafio a todas e todos os deputados que votaram o Orçamento de Estado para 2018 “dizendo-lhes que não havia folga”, para que venham agora “dizer aos médicos em falta que têm lugar numa saúde pública, aos professores que eles são valorizados na escola pública, aos portugueses, às portuguesas, a todos os cidadãos e cidadãs, que há serviços públicos de qualidade que não os deixam ficar para trás, nem lhes faltam quando lhes fazem falta”.

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda questionou-se ainda sobre o que será mais importante para os deputados: ir além do défice ou dar resposta às pessoas que em 2015 “começaram a acreditar que havia uma política diferente daquela que a direita tinha desgovernado o país durante quatro anos”, terminando a recordar que o Bloco de Esquerda manteve a sua palavra quando afirmou que estaria disponível para “apoiar orçamentos de estado que garantissem a valorização dos serviços públicos, para disputar todas as folgas orçamentais para fazer aquilo que não foi feito anteriormente e para resgatar os serviços públicos da destruição da direita”.

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