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Poluição cria rochas com crosta de plástico descobrem investigadores na Madeira

Investigadores do MARE, Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, descobriram na Madeira rocha com crosta de plástico. O fenómeno, atribuído à poluição, pode ter efeitos na cadeia alimentar marinha e deve ser monitorizado ambientalmente, salientam.
Plasticrosta na costa da Madeira.
Plasticrosta na costa da Madeira. Foto de Ignacio Gestoso/MARE

Foi batizado como “plasticrosta”. O fenómeno descoberto pelos investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) na costa sul da Madeira é composto por polietileno, um dos plásticos mais utilizados na indústria, “um material comum especialmente nas embalagens de plástico para produtos alimentares” que se entranhou nas rochas da costa. Só que ainda é preciso descobrir a sua origem concreta e o seu mecanismo de formação.

Para já, o grupo de investigadores, liderado por Ignacio Gestoso, trabalha na hipótese que se trata de plásticos que, com as ondas e as marés, foram embatendo com as rochas ao longo do tempo. Mas são cautelosos quanto ao seu impacto: “verifica-se que este fenómeno está a ocorrer numa área concreta. No entanto, ainda não temos amostras de invertebrados para saber qual o impacto nas espécies marinhas, e na rede trófica em geral”, pode ler-se no site da MARE.

A investigação daí resultante, publicada no volume 687 da revista científica Science of The Total Environment, intitula-se Plasticrostas: Uma nova potencial ameaça nas costas rochosas do Antropoceno. Para além de sublinhar a incrustação dos plásticos nas formações rochosas costeiras, realça que se trata de uma potencial nova categoria de detrito marítimo sugerindo que deverá ser tida em conta nos programas de monitorização ambiental e que se pode tratar de um novo caminho para a entrada dos plásticos na cadeia alimentar marinha devido à sua potencial ingestão por organismos que vivem nas zonas interditais rochosas. Os investigadores da MARE confirmaram que, na área investigada, burriés se alimentavam de algas que estavam a cobrir esta crosta de plástico, podendo assim estar, ao mesmo tempo a ingerir plástico.

A descoberta destas crostas de plástico data de 2016. Mas, no início do ano, a equipa do centro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa voltou a monitorizar o mesmo local, tendo assim confirmado que o plástico se mantinha incrustado. Mais, em comunicado o MARE diz até que o fenómeno “aumentou bastante desde 2016”.

Por isso, a equipa de investigação quer saber se a causa são fatores limitados devido por exemplo ao tipo de pedra da Madeira, muito escura e onde “se calhar porque fica muito quente o plástico cola-se mais facilmente com a força do mar”, diz Gestoso, ou se o mesmo pode ser detetado noutras regiões como os Açores, o continente ou as Ilhas Canárias.

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