No Twitter, Mariana Mortágua considera ser “um erro deixar o Banco de Portugal governar no Terreiro do Paço”, reagindo assim às declarações de Mário Centeno que, esta segunda-feira, falou contra a hipótese de investimento público para sair da crise.
Para a deputada, “quando a crise está no centro da vida coletiva, na Saúde e na Economia, responder pelas margens, como defende Centeno, é receita para o desastre”.
E associa as palavras do ex-ministro das Finanças à política atual do governo: “Os remendos do Governo não salvam o Serviço Nacional de Saúde e o emprego. É um erro deixar o Banco de Portugal governar no Terreiro do Paço”.
Qd a crise está no centro da vida coletiva, na Saúde e da Economia, responder pelas “margens”, como defende Centeno, é receita p/ o desastre.Os remendos do Governo ñ salvam o SNS e o emprego.É um erro deixar o Banco de Portugal governar no Terreiro do Paço https://t.co/liAD2xOxrH
— mariana mortágua (@MRMortagua) November 17, 2020
No artigo de opinião publicado esta terça-feira no Jornal de Notícias, Mariana Mortágua escreve que o “governador admite que a crise terá efeitos estruturais mas recusa qualquer alteração de fundo nos apoios sociais ou um apoio "massivo" à economia. Preocupa-o que o investimento público vá além dos projetos já em curso e que sejam criadas "barreiras à mobilidade do trabalho", ou seja, medidas legais que visem travar os despedimentos.”
“Com palavras diferentes e de forma mitigada, o argumento de Mário Centeno tem a mesmíssima matriz ideológica que, no passado, sustentou as políticas de austeridade e as "reformas estruturais" que castigaram o país”, explica.
Para a deputada, “a realidade já provou que a dívida é caprichosa e ingrata, que se alimenta do desemprego e da recessão. Políticas débeis, como aquelas sugeridas por Centeno, não conseguirão evitar essa deriva”.
Mais “eficaz seria, como referia o presidente do Parlamento Europeu, cancelar a dívida gerada no combate à covid. Fazê-lo é apenas uma decisão política”, conclui.