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“A política não é uma questão de vontade, mas de força”

Em entrevista ao Expresso, Catarina Martins passa em revista os três anos da legislatura e admite que uma nova relação de forças saída das próximas legislativas possa tornar possível um governo de esquerda.
Foto de Paulete Matos.

“Depois desta fase em que foi possível condicionar um governo do PS, a próxima fase seria termos uma correlação de forças que nos permitisse ter um governo de esquerda. Não simplesmente um governo minoritário do PS”, afirma a coordenadora bloquista na entrevista publicada este sábado pelo jornal Expresso.

“Se isso acontecer, o Bloco pode e deve assumir a responsabilidade de integrar um governo”, prossegue Catarina Martins, concluindo que “esse governo só existirá se o Bloco crescer”, e também com a participação do PCP enquanto “força essencial no quadro de uma política de esquerda”.

“Acho que o país se lembra do que foram as maiorias absolutas do PS e de como são pontes para que venham a seguir governos de direita”, sublinhou Catarina Martins, acrescentando que “a responsabilidade do Bloco é de se bater por um programa de esquerda para o país”.

“A política não é uma questão de vontade, mas de força”, resume Catarina. Mas até às eleições ainda há muito trabalho para fazer, a começar pelo Orçamento que agora o parlamento discute na especialidade. Catarina Martins aponta que o Bloco soube contrariar a “tentação da parte do governo de considerar que já não havia nada para negociar nesta legislatura”.

“Estamos aqui para fazer cumprir os acordos e ir mais longe até ao último dia da legislatura”, prosseguiu Catarina. Questionada sobre se o PS mudou de atitude na relação com o Bloco a seguir ao último congresso, a coordenadora do Bloco admitiu que “o PS, eventualmente, terá feito a análise de que o Bloco dificultava mais uma maioria absoluta do que o PCP”.

Quando questionada sobre os ensinamentos colhidos na relação com o poder, Catarina afirmou que o Bloco está hoje muito mais preparado, mas também com mais “consciência do tão pouco que os governos mandam”, considerando “muito assustador que tanta gente viva bem com isso”. Referindo-se em concreto ao poder dos grupos económicos após as privatizações e ao poder do sistema financeiro internacional, Catarina diz que esse facto “não é uma novidade, fez sempre parte da análise do Bloco. Mas ver no concreto e ao pormenor esta degradação da soberania popular é assustador”.

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