Os trabalhadores da fábrica da Samsung de Sriperumbudur, perto da cidade de Chennai, no sul da Índia, estão em greve há mais de uma semana. Para esta segunda-feira planeavam uma marcha de protesto para entregar as suas reivindicações junto das autoridades locais. Só que a polícia prendeu 104 deles alegando que a ação não tinha autorização oficial.
As autoridades justificam a proibição da marcha, à última da hora segundo o Hindu Business Line, com a existência de escolas e hospitais na zona. À Reuters, o chefe da polícia do distrito de Kancheepuram, K. Shanmugam, afirmou que a área “ficaria totalmente paralisada” e que assim se “perturbaria a paz pública”.
A produção desta fábrica, que emprega perto de 1.800 trabalhadores, representa cerca de um terço dos 12 mil milhões de dólares faturados todos os anos pela Samsung na Índia. Este valor astronómico não se repercute nos salários dos trabalhadores nem nas condições de trabalho a que estão sujeitos e estas são as principais razões apresentadas para a paralisação laboral. Atualmente ganham por mês 25.000 rupias (300 dólares), pretendem um aumento de forma a chega daqui a três anos às 36.000 rupias (430 dólares). Em termos das condições de trabalho, de acordo com as fontes sindicais, “os trabalhadores desta fábrica são sujeitos a longas horas de trabalho, intensidade tortuosa de pressão de trabalho para terminar cada produto como frigorífico, máquina de lavar roupa ou TV dentro de 10-15 segundos, trabalho ininterrupto durante 4-5 horas em situação apertada e condições de trabalho inseguras”.
Para além disso, luta-se pelo reconhecimento do sindicato local, o Sindicato dos Trabalhadores da Samsung da Índia, fundado há dois meses e que é apoiado pelo CITU, Centro de Sindicatos Indianos. Este reivindica ter 6,6 milhões de filiados e a empresa recusa-se a reconhecer sindicatos que tenham por detrás sindicatos nacionais.
Em comunicado, os grevistas queixam-se assim de que, para além de os seus salários serem mais baixos do que outros trabalhadores industriais, “a atitude da gestão, o puritanismo, as práticas abusivas e a carga de trabalho levaram os trabalhadores a formar um sindicato”.
O líder do CITU no estado de Tamil Nadu, E. Muthukumar, está entre os detidos. Para já, a polícia continua a não dizer quando os libertará. E, ao contrário dos restantes presos, o paradeiro do dirigente sindical não é conhecido, destaca o Hindu Business Line.
Simultaneamente com o início desta greve, a Samsung anunciou que iria cortar 30% dos seus postos de trabalho fora da Coreia do Sul. Um pouco depois, o organismo anti-monopólios da Índia concluiu que a Samsung e outras marcas que produzem telemóveis orquestraram com os gigantes do comércio online lançamentos exclusivos, violando as leis da competição.
Os trabalhadores reivindicam que a greve, a primeira nos 16 anos da empresa, está a afetar significativamente a produção, rondando os 90% de adesão no oitavo dia, apesar de a empresa ter chamado centenas de trabalhadores temporários. Esta estará a funcionar apenas a 25%.