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Polícia italiana lança raide contra extremistas antivacinas

A operação fez buscas nas casas de 29 pessoas suspeitas de associação criminosa e ameaças a jornalistas, médicos e políticos por causa da obrigatoriedade do certificado de vacinação.
Material apreendido esta quinta-feira ao grupo “Guerrieri ViVi”. Imagem da Polícia Postal italiana.

A polícia italiana lançou esta quinta-feira uma operação de busca que visa desmantelar um grupo extremista antivacinas considerado potencialmente perigoso que usava a rede de mensagens Telegram para coordenar ações contra a obrigatoriedade do “Green Pass Covid-19”. Em causa estarão os crimes de associação criminosa e instigação à perturbação de serviços públicos, diz a agência noticiosa Ansa.

As manifestações contra a obrigatoriedade deste certificado têm sido marcadas pela violência, com grupos associados à extrema-direita a liderarem os desacatos em muitas cidades. Ao mesmo tempo, aumentam as denúncias de ameaças feitas a jornalistas, médicos e políticos por parte destes grupos.

O raide de quinta-feira segue-se a outra operação policial no início da semana, que fez buscas às casas de 17 pessoas suspeitas de instigarem crimes com uso de armas de fogo dirigidos a figuras públicas italianas como o primeiro-ministro Mario Draghi, num grupo de Telegram entretanto encerrado e intitulado “Basta de ditadura” e que a polícia considera o principal pólo de divulgação dos protestos violentos. Nesse grupo, sucediam-se as mensagens com apelos a uma nova Marcha sobre Roma [uma referência à manifestação que marcou a tomada do poder de Mussolini em 1922] ou ao assassinato e enforcamento dos responsáveis políticos, médicos, cientistas ou jornalistas considerados "colaboracionistas" com a "ditadura", bem como ameaças de atentados bombistas a várias instituições do país.

A operação policial desta quinta-feira visou outro grupo, intitulado “Guerrieri ViVi”, que dispunha de um grupo público no Telegram e um privado onde era feita a coordenação da atividade. Segundo a polícia postal, que faz o combate ao cibercrime, “uma vez entrados no chat de recrutamento, os aspirantes a guerreiros deviam ouvir uma série de áudios gravados por uma voz distorcida, nos quais se falava da instauração de uma nova ordem mundial, governada por inteligência artificial e se  traçavam paralelismos entre o regime nazi e a atual situação de emergência. Findo o percurso de formação, o aspirante a guerreiro teria de passar um exame e seria acompanhado por um tutor para levar a cabo a primeira operação”, que normalmente passava pela vandalização de centros de vacinação e pelos ataques nas redes sociais a alvos escolhidos pelo grupo entre jornalistas, políticos ou médicos. O recrutamento de professores, profissionais de saúde e membros de forças de segurança era feito através de programas específicos, acrescenta o comunicado policial. Este grupo contava com quase 20 mil membros e dezenas de páginas, canais e grupos de chat, organizados através de “um sistema compartimentado, ativo sobretudo no Telegram, formado por círculos concêntricos com crescentes níveis de segurança e divisão de tarefas”.

O “Green Pass Covid-19” é um certificado que mostra que a pessoa está vacinada, recuperou da infeção nos últimos seis meses ou fez um teste negativo nos últimos dias. Face ao recrudescimento do número de infeções, este certificado passou a ser obrigatório no mês passado para aceder a locais públicos e também ao local de trabalho.

À semelhança de outros países, o número de infetados em Itália tem aumentado e superou a fasquia dos 10 mil novos casos diários, o maior número desde o início de maio. Esta quarta-feira registaram-se 74 mortes e o número de internados ultrapassou os quatro mil, com 486 pessoas nos cuidados intensivos. Apesar deste aumento, os hospitais ainda estão longe do ponto de saturação e as limitações, além do contestado certificado, restringem-se apenas ao uso de máscara em espaços fechados. 

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