Polícia espanhola detém advogados dos presos da ETA

12 de janeiro 2015 - 15:23

Dois dias depois da manifestação que juntou 80 mil em Bilbau contra a dispersão dos presos da ETA, a Guardia Civil levou a cabo nova operação contra a estrutura de apoio aos presos.

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Manifestação em Bilbao pediu o fim da dispersão dos presos. O Governo respondeu com a detenção dos advogados. Foto Txeng Meng/Flickr

Doze advogados e outras quatro pessoas foram detidas esta segunda-feira numa operação da Guardia Civil contra a Herrira, a estrutura de apoio aos presos da ETA. Entre os detidos está uma dirigente da coligação Bildu e porta-voz do partido Sortu, Amaia Izko.

Segundo o portal Publico.es, alguns dos advogados detidos deveriam apresentar-se hoje em tribunal para defender os 35 dirigentes do Batasuna, ANV e PCTV acusados de terrorismo, cujo julgamento deveria ter hoje início na Audiência Nacional, mas acabou por ser adiado devido à detenção dos advogados. Os dirigentes políticos são acusados por causa das suas atividades entre 2005 e 2007, quando negociavam com o governo Zapatero e eram ao mesmo tempo alvo de vigilância policial.

A sede do sindicato LAB em Bilbau foi também alvo de buscas policiais, tal como vários bares (herriko tabernas) associados aos meios independentistas bascos. Na base das acusações contra as pessoas hoje detidas estão suspeitas de crimes fiscais relacionadas com os rendimentos da assistência jurídica prestada aos presos. Segundo o Ministério do Interior, a operação visou desarticular "a trama financeira que sustentava economicamente o coletivo de advogados".

"É a democracia à moda turca"

A operação policial surge após 80 mil pessoas se terem manifestado no sábado a favor da concentração dos presos da ETA nas prisões do País Basco, pondo fim à política de dispersão vigente nas últimas décadas.

Um dos 35 acusados que viram o julgamento adiado esta segunda-feira contou na rede social Twitter como viu os seus advogados serem presos no hotel de Madrid onde se encontrava.

"É a democracia à moda turca", disse o ex-deputado regional Pernando Barrena, que considera que "nestas condições, as garantias de haver um julgamento com defesa são praticamente nulas". Para Barrena, "a sede de vingança não tem limites: acabaram de prender os advogados que derrubaram a doutrina Parot em Estrasburgo", numa referência à jurisprudência anteriormente vigente em Espanha que na prática impedia a redução de penas aos presos da ETA e era aplicada retroativamente.

Na véspera das detenções, o mediador internacional Alberto Spektorowski afirmou ao Publico.es que o governo espanhol poderia estar a preparar-se para aproveitar a "corrente de medo do terrorismo que existe na Europa" para "incidir ainda mais nas limitações às liberdades e assim tentar não perder o pé numa situação social, política e económica que é uma panela de pressão pronta a explodir".

A operação policial surge após 80 mil pessoas se terem manifestado no sábado a favor da concentração dos presos da ETA nas prisões do País Basco, pondo fim à política de dispersão vigente nas últimas décadas. "O objetivo de acabar com a política vingativa da dispersão, após tantos anos em vigor, é um repto que enquanto sociedade devemos superar todos juntos", afirmou a rede Sare, que convocou a manifestação.