Está aqui

Podemos em destaque na revista Vírus

A sexta edição da revista política e de ideias do Bloco de Esquerda já está disponível online, com um dossiê dedicado ao novo partido espanhol. Gramsci, Cortázar e Göran Therborn são outras figuras em destaque.

A edição de novembro da revista Vírus (disponível aqui em pdf) dedica o seu dossiê ao novo partido espanhol Podemos. Em entrevista, Miguel Urban explica as raízes do movimento de que foi fundador e candidato às europeias, o sucesso eleitoral na estreia nas urnas e  alguns dos debates organizativos que tiveram lugar na primeira assembleia cidadã, que elegeu Pablo Iglesias para secretário-geral com ampla maioria.

O dossiê conta ainda com depoimentos da eurodeputada Teresa Rodriguez, do editor da revista Viento Sur Jaime Pastor e artigos de Vicenç Navarro, co-autor das bases do programa económico do Podemos, e do economista Manuel Gari.

Na secção “Pensar o Socialismo Hoje”, Carlos Carujo revisita a vida e a obra de Antonio Gramsci, cuja “capacidade de criar conceitos ou de alargar os conceitos já existentes a perspetivas inéditas abriu portas em campos como os denominados estudos subalternos, a antropologia, a linguística, as relações internacionais, as ciências da educação, já para não falar da filosofia política”.

Neste artigo intitulado “Gramsci, intelectual orgânico”, Carujo recusa “cair na armadilha de despolitizar a leitura de Gramsci, de separar dois Gramsci, sendo um o político comunista e o outro o intelectual maduro preso dedicado ao estudo” e revela aspetos da orientação política defendida pelo comunista italiano face aos acontecimentos que testemunhou e que marcaram o século XX.

A revista Vírus conta ainda com um artigo dedicado a Julio Cortázar e aos seus contos, por Luís Leiria. Em “Cortázar, o mestre do Fantastico”, Leiria traça o perfil do escritor que faria este ano o seu centenário e que foi um dos protagonistas do bom da literatura latino-americana nos anos 1960.

Adriano Campos dá a conhecer o pensamento de Göran Therborn, marxista contemporâneo autor de “uma vasta cartografia
das resistências contra-hegemónicas e dos movimentos anticapitalistas no século XXI”, no artigo “Göran Therborn em busca dos anticapitalistas”.

Na secção de leituras da Vírus, este mês o destaque vai para “Narcoland”, da jornalista mexicana Anabel Hérnandez, que traça a história do poder do narcotráfico sobre a política e a sociedade mexicana a partir do percurso de El Chapo, o traficante considerado inimigo público nº 1 nos EUA e que foi capturado no ano passado. As outras leitura desta Vírus são “O Capital do Século XXI”, de Thomas Piketty , aclamado e criticado da esquerda à direita, “Call Centers - Trabalho, Domesticação e Resistências”, o trabalho de João Carlos Louçã sobre os modernos processos de exploração contados pelos próprios trabalhadores, e os a antologia “Pensamento Crítico Contemporâneo”, organizada pela Unipop a partir de ensaios sobre a vida e a obra de 23 autores.

A Vírus tem ainda espaço para o cinema, com dois thrillers: um israelita - “Bethleem”, de Yuval Adler - e outro palestiniano - Omar, de Hany Abu-Assad. E na secção musical, a atenção vai para o projeto Noa Noa, nascido de uma residência artística em Idanha-a-Velha, interpretando e preservando o património de tradição oral.

Termos relacionados Cultura
(...)