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PIB cai mais que o esperado, Passos fala em “bons resultados”

Queda de 3,5% no 3º trimestre do ano é pior do que previsto pelo próprio INE, as exportações continuam em desaceleração e o emprego em queda. Mas Passos Coelho insiste em falar em “bons resultados”.
Produto diminuiu mais que o esperado. Foto de Paulete Matos

O Produto Interno Bruto (PIB) registou uma diminuição de 3,5% em volume no 3º trimestre de 2012 face ao mesmo período de 2011, informa o Instituto Nacional de Estatística. O resultado é pior do que o previsto há apenas três semanas, correspondendo a uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais face à Estimativa Rápida publicada pelo INE a 14 de novembro.

Os novos valores do Produto Interno Bruto mostram que a recessão se está a agravar, tanto em termos homólogos como por comparação com os trimestres anteriores. A variação homóloga do PIB de -3,5% deste terceiro trimestre compara-se com a de -3,1% observada no trimestre anterior. Por outro lado, face ao 2º trimestre, o PIB diminuiu 0,9%. No conjunto dos três primeiros trimestres de 2012, o PIB diminuiu 3,0% relativamente ao mesmo período do ano anterior.

Passos fala em “bons resultados”

Indiferente a estes dados, o primeiro-ministro, Passos Coelho, disse no debate na Assembleia da República que o país está na direção certa e que o governo tem conseguido "bons resultados" que são "reconhecidos em todo o lado", menos pelos partidos da oposição. O líder do PSD, Luís Montenegro, vangloriou-se pelo facto de as exportações de outubro terem voltado a crescer (5,2% em termos homólogos). Mas se este resultado inverte o de setembro, onde houve queda de 6,3%, também é verdade que foi o terceiro pior resultado do ano.

As exportações, diz o INE, continuaram a desacelerar o crescimento, passando de uma variação homóloga de intensa homóloga de 3,7% no 2º trimestre de 2012 para 1,7%. Os dados do INE revelam que, dos cinco maiores parceiros comerciais de Portugal, Espanha; Alemanha; França; Angola; e Reino Unido, só as exportações para a economia angolana tiveram um crescimento. Os restantes quatro, todos eles mercados europeus, diminuíram as suas importações a Portugal.

Finalmente, o emprego total para o conjunto da economia, corrigido de sazonalidade, diminuiu 4,2% em termos homólogos (variação idêntica à registada no 1º e no 2º trimestre de 2012).

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