Segundo avança a revista Sábado, “o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) abriu há vários meses um inquérito-crime com base numa denúncia que alertou para eventuais riscos para a segurança nacional”.
A Sábado escreve que a denúncia fazia menção “à forte possibilidade de se verificarem furtos de armas em larga escala em instalações das Forças Armadas”, entre as quais a base militar de Tancos, sede do comando da Brigada de Reacção Rápida e da Unidade de Aviação Ligeira do Exército (UALE).
Os procuradores Vítor Magalhães e João Melo, nomeados pelo director do DCIAP, Amadeu Guerra, para dirigir o inquérito, traçaram um conjunto de diligências judiciais que, conforme sinaliza a revista, “acabaram por não ser concretizadas ou ter qualquer efeito prático no terreno”.
A Sábado refere ainda que, ao que pôde apurou, o tratamento judicial da denúncia “está a causar forte polémica entre os vários intervenientes que conheciam e tramitaram este primeiro inquérito-crime aberto no DCIAP, sobretudo elementos da magistratura judicial e do MP e investigadores da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCC) da PJ”. O caso é ainda do conhecimento de um restrito número de espiões do Serviço de Informações de Segurança (SIS), que estão a investigar o assalto à base militar de Tancos.
Confrontadas com um pedido de informação por parte da revista, várias fontes judiciais, policiais e dos serviços secretos escusaram-se a “pormenorizar os exatos motivos de a investigação no DCIAP ter ficado praticamente parada até ao conhecimento público do furto ocorrido em Tancos”.
Ainda que não tenha respondido às questões colocadas por email pela Sábado, a Procuradoria-Geral da República apenas veio confirmar, mediante comunicado enviado a todos os órgãos de comunicação social, que o processo do furto ocorrido em Tancos passou para o DCIAP, visto que integra uma “realidade mais vasta”, cuja investigação deve prosseguir “no âmbito de uma investigação com objeto mais vasto”.
Em causa estão, segundo a PGR, suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.
A SIC Notícias lembra ainda que a Polícia Judiciária (PJ) deteve, em 2016, doze pessoas “dedicadas ao tráfico de armas”, entre as quais um sargento-chefe no Regimento de Paraquedistas de Tancos, e que a PJ já tinha alertado para a possibilidade de estarem a ser desviadas armas de Tancos.