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Petrolíferas fazem lóbi para impedir políticas anti-alterações climáticas

As principais empresas que exploram o petróleo a nível mundial gastam milhões de dólares em publicidade e lóbi com o intuito de impedir políticas que possam minorar as alterações climáticas. É isto que demonstra um relatório da organização InfluenceMap.
Foto de dexter_mixwith/flickr

ExxonMobil, Shell, Chevron, BP e Total são as principais empresas petrolíferas e de exploração de gás. Juntas, gastam 195 milhões de dólares por ano com o objetivo de atrasar ou bloquear políticas destinadas a lidar com as alterações climáticas.

Estes dados podem ser encontrados no relatório da InfluenceMap, uma organização que se dedica a recolher dados sobre o papel das empresas em questões como as alterações climáticas.

Os exemplos são vários. Há investimento tanto em lóbi puro quanto em publicidade. Na campanha eleitoral para as eleições intermédias dos EUA no ano passado, estas empresas gastaram dois milhões de dólares em anúncios nas redes sociais que tentavam provar os benefícios de um aumento da produção de combustíveis fósseis. Também foi montada uma campanha publicitária e de lóbi pela BP e Chevron, que custou 13 milhões, destinada a travar a implementação de uma taxa de carbono no Estado de Washington. A taxa não foi avante.

Várias destas campanhas publicitárias passam por mostrar dedicação aos compromissos ambientais enquanto a prática revela um aumento da exploração de gás e petróleo. O responsável pelo estudo, Edward Collins, pensa que o branding destas empresas “soa cada vez mais vazio e a sua credibilidade está em causa. Apoiam publicamente a ação climática enquanto fazem lóbi contra políticas obrigatórias. Advogam soluções de baixo carbono mas tais investimentos são diminuídos pelos gastos que fazem a expandir os seus negócios nos combustíveis fósseis.”

A InfluenceMap queixa-se ainda que estas empresas são pouco transparentes porque não revelam os seus gastos em publicidade e em lóbi. A organização tem disponível no seu site, para além deste, um conjunto de outros relatórios sobre a influência política e económica do setor sobre as políticas ambientais. E há também um mapa financeiro que permite conhecer com detalhe quem é dono das indústrias de combustíveis fósseis.

ExxonMobil e o lóbi no Parlamento Europeu

Na Europa, a ExxonMobil gastou, desde 2010, 35 milhões de dólares em lóbi junto das instituições europeias e dos seus peritos. Contudo, agora pode vir a ser banida do Parlamento Europeu. A instituição europeia tem um estatuto que dá a certas entidades privilégios de acesso para fazerem lóbi junto dos decisores. A ExxonMobil arrisca-se a perdê-lo por ter faltado a uma audição sobre negação das alterações climática. Se tal acontecer, seria a segunda multinacional, depois da Monsanto, a que tal iria acontecer.

A ExxonMobil é acusada por académicos e ativistas de ter ocultado informações (que dispunha desde 1977) sobre a forma como o aumento da exploração petrolífera aumentaria a temperatura e de nada ter feito sobre isso e de ter financiado grupos que têm como objetivo negar que seja a ação humana a causar as alterações climáticas.

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