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Pete Seeger: cem anos de canções e de lutas

O génio da música folk norte-americana faria esta sexta-feira cem anos se estivesse vivo. Foi durante toda a sua vida um cantor de intervenção, criador de hinos que foram repetidos por várias gerações de militantes.
Foto Dona Lou Morgan/wikimedia commons

Participação! É sobre isso que todo o meu trabalho tem sido!”

Vejo-me como um plantador de sementes.”

Estas frases de Pete Seeger serão certamente muito curtas para resumir os seus 94 anos de vida. Mas, por outro lado, dizem muito sobre como o compositor encarava a sua arte.

Nascido a 3 de maio de 1919, filho de um musicólogo e de uma violinista, ambos ativistas pela paz e pelos direitos dos trabalhadores, teve assim uma infância acompanhada pelas músicas de intervenção e escolheu desde cedo o banjo como instrumento de eleição.

Aos 17 anos, em 1936, juntou-se à Liga dos Jovens Comunistas e em 1942 ao Partido Comunista do qual saiu passados sete anos. Tendo-se inscrito no curso de Sociologia de Harvard em 1936, acabará por não o concluir.

O apelo da música prevalece e o encontro em Nova Iorque com Woody Guthrie vai ser decisivo. Com ele funda os Almanac Singers em Dezembro 1940.

Depois da IIª Guerra Mundial empenha-se no projeto People’s Songs, Incorporated que organizou centenas de coros sindicais. Em 1948 funda o grupo folk The Weavers que obteve sucesso no início dos anos 50, tendo vendido 4 milhões de discos.

As canções que vai compor ao longo da sua carreira fundem-se com a história contemporânea das lutas do povo norte-americano: dos direitos civis das minorias, às lutas dos

trabalhadores pela justiça social, das lutas contra as guerras do império àquelas pela sustentabilidade ambiental. Pela sua participação política desassombrada será perseguido pelo macarthismo e colocado na lista negra sofrendo o boicote da indústria musical e os ataques violentos contra os seus concertos. Seeger sobreviverá durante anos cantando em escolas e sindicatos. A sua música encabeçará também protestos de defesa dos direitos civis da comunidade negra norte-americana e contra a guerra do Vietname. A militância ecologista também ocupou uma parte significativa da sua vida: contra a poluição do rio Hudson, na margem do qual vivia, fundou uma organização e realizou festivais de música.

Foi assim militantemente ativo, até ao final da sua vida. A 27 de janeiro de 2014 morre aos 94 anos. O seu legado sobrevive nas canções que deixou e nas pessoas que influenciou. Pete Seeger foi uma referência valiosa para músicos como Bob Dylan, Joan Baez, Bernice Johnson, Judy Collins e Bruce Springsteen.

 

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