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Pessoas com deficiência sofrem maior desigualdade com crise pandémica

Um estudo do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos revela que as respostas à covid-19 dificultaram o acesso das pessoas com deficiência à Educação e, muitas vezes, privaram-nas de terapias e apoios sociais fundamentais.

“Modalidades de ensino à distância desadequadas às necessidades dos alunos com deficiência, suspensão ou redução de apoios e serviços essenciais como terapias e assistência pessoal, sendo as famílias a assumir a prestação de cuidados, e ausência de informações específicas sobre covid-19 direcionadas às pessoas com deficiência, foram algumas das principais repercussões negativas da pandemia nas vidas das pessoas com deficiência”, refere o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH) em comunicado, citado pela agência Lusa.

As conclusões do ODDH decorrem do estudo promovido por este organismo sobre “Deficiência e covid-19”, no qual participaram 725 inquiridos, dos quais 53,8% eram pessoas com deficiência e 46,2% familiares ou cuidadores de pessoas com deficiência.

No que respeita à área da Educação, 217 inquiridos afirmaram ser estudantes ou pais de crianças inscritas no ensino pré-escolar, ensino básico e ensino secundário. Destes, 77,9% “avaliaram as modalidades de ensino à distância de forma negativa”, apontando-as como “nada adequadas” (48,4%) ou “pouco adequadas” (29,5%).

Já no que se refere ao ensino superior, 69,3% dos 75 inquiridos abrangidos por este nível de ensino avaliam negativamente “a adequação das modalidades de ensino à distância disponibilizadas pelas instituições de ensino universitário”: 33,3% dos inquiridos classificaram este acompanhamento como nada adequado e 36% dos inquiridos como pouco adequado.

O estudo revela ainda que 40,1% dos inquiridos deixaram de ter acesso a apoios considerados fundamentais, como terapias importantes para o desenvolvimento cognitivo e motor. Dos 449 inquiridos a precisar de assistência de terceiros para a realização de atividades diárias, 33,2% responderam que esta foi suspensa ou reduzida no número de horas diárias de apoio prestado.

“Os resultados do questionário evidenciam que a suspensão destes apoios e serviços comprometeu não só a autonomia e bem-estar das pessoas com deficiência – ficando sem apoios terapêuticos e pedagógicos específicos assim como auxílio nos cuidados pessoais -, mas também dos seus familiares que, na ausência absoluta de qualquer tipo de apoios, assumiram em exclusivo a prestação de cuidados e apoio aos seus filhos – crianças e adultos com deficiência -, criando situações de absoluta exaustão nestas famílias”, concluiu o ODDH.

As desigualdades não param por aqui, sendo assinalado que é necessário melhorar as condições de acesso à informação sobre a covid-19.

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