O peso ajustado dos salários na economia registou uma quebra de 3% entre 2011 e 2012, fixando-se atualmente em 62,2%, o que representa a maior diminuição desde 1984, ano em que se verificou um decrescimento abrupto do valor real dos salários resultante da política de desvalorização cambial.
No ano passado, este indicador ficou, pela primeira vez desde 1995, abaixo da média da zona euro, tendo em conta os primeiros doze países a adoptarem a moeda única.
De acordo com as previsões da Comissão Europeia, o peso das remunerações da economia portuguesa deverá continuar a descer até chegar a 61,2% em 2014, registando assim o valor mais baixo desde 1988, e aproximando-se do mínimo de 59,9% registado em 1984.
Ao mesmo tempo que os trabalhadores veem os seus rendimentos diminuírem e que se agrava a taxa de desemprego, regista-se um acréscimo do peso dos rendimentos de propriedade e de capital na economia portuguesa.
Se o peso dos rendimentos associados aos excedentes de exploração alcançou, em 2012, o valor mais elevado desde 2006, já o peso dos rendimentos de propriedade ascendeu a 11,3%, registando a maior percentagem desde, pelo menos, 1999.
Estes indicadores apontam para um aumento das desigualdades em Portugal, que terá tendência para se agudizar.