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Peso da dívida e do turismo vai dificultar recuperação, diz FMI

O Fundo Monetário Internacional diz que os países com uma estrutura económica semelhante à portuguesa vão ter mais dificuldades em recuperar após a pandemia. José Gusmão lembra que o FMI é a instituição “mais descarada” a prescrever políticas destrutivas para depois as vir criticar.
baixa de Lisboa
Foto de Ana Mendes

Num capítulo do relatório que incluirá as previsões da Primavera para a economia global, divulgado parcialmente pelo FMI e citado pelo Público, os técnicos do Fundo Monetário Internacional dizem que a recuperação económica dos países dependerá sobretudo “da estrutura da economia e da dimensão da resposta política”.

Em seguida, deixa uma conclusão que assenta bem na descrição da economia portuguesa: “projecta-se que as economias que dependem mais do turismo e aquelas com um sector dos serviços maior sofram perdas mais persistentes”. O relatório reforça em seguida que “no médio prazo, as cicatrizes em economias dependentes do turismo deverão ser mais acentuadas do que nos outros países”.

Para evitar esses impactos, o relatório defende medidas de estímulo orçamental para evitar os danos económicos e sociais, justamente o contrário do que é hábito prescrever para países como Portugal, alegando que o peso da dívida não deixa grande margem de manobra para esse tipo de políticas.

Para o eurodeputado bloquista José Gusmão, é um “erro de análise” pensar  que Portugal não tem capacidade orçamental. “Neste momento, tem e não a utilizar agora é a garantia de problemas mais à frente. Andar a deixar 7.000 milhões por executar não serve nenhum objetivo, muito menos o das contas públicas. Como a troika mostrou”, afirmou Gusmão nas redes sociais a propósito deste relatório.

“De todas as instituições especializadas em recomendar políticas destrutivas para depois as vir criticar, o FMI é provavelmente a mais descarada”, afirma em seguida o eurodeputado e economista, citando a parte da notícia em que o Fundo aconselha o estímulo orçamental. Para José Gusmão, os conselhos do FMI “são sempre de uma enorme sensatez, a não ser quando interessa”.

O erro de análise é pensar que Portugal não tem capacidade orçamental. Neste momento, tem e não a utilizar agora é a...

Publicado por José Gusmão em Quinta-feira, 1 de abril de 2021

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