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Personalidades francesas pedem a libertação de Louisa Hanoune

Ex-primeiro-ministro socialista Jean-Marc Ayrault, líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, e o secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, entre outros, afirmam que nada pode justificar detenção da dirigente do PT da Argélia.
Louisa Hanoune
Louisa Hanoune

Cerca de um milhar de personalidades francesas, dos meios político e sindical, das organizações de direitos humanos e da academia, pediram a libertação imediata da secretária-geral do Partido dos Trabalhadores da Argélia, Louisa Hanoune. Entre os signatários estão o ex-primeiro-ministro socialista Jean-Marc Ayrault (2012-2014), o líder da França Insubmissa Jean-Luc Mélenchon, o secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, e o presidente de honra da Liga dos Direitos do Homem, Henri Leclerc.

“Louisa Hanoune é conhecida há anos pelas suas tomadas de posição e pelo seu combate intransigente em defesa da democracia, das liberdades, dos direitos das mulheres e sempre do lado dos povos e dos oprimidos. Estando ou não de acordo com as suas posições políticas, nada pode justificar a sua detenção. Pedimos a sua libertação imediata”, diz o documento divulgado pela revista Le Point.

Reunião de consulta

A secretária-geral do PT da Argélia foi detida no dia 9 de maio por um tribunal militar, no final de um depoimento que foi convidada a prestar como testemunha, no processo contra Saïd Bouteflika, irmão do ex-presidente, e dois generais, Mohamed "Toufik" Mediene e Athmane "Bachir" Tartag. Os três são acusados de atentar contra a autoridade do Exército e de conspirar contra a autoridade do Estado. A mesma acusação recai agora sobre Louisa Hanoune.

De acordo com Rachid Khane, advogado da dirigente política que conseguiu falar com ela na prisão, “Louisa Hanoune participou de uma reunião consultiva no dia 27 de março com Saïd Bouteflika e o general Toufik que durou apenas uma hora, numa residência oficial em Argel”.

Ela foi “dar a sua opinião sobre a situação política” seis dias antes da demissão do então presidente Bouteflika. Khane garantiu que “ela pensava que este encontro era oficial, com o acordo da Presidência”.

Presa política

O advogado afirmou que Louisa Hanoune considera-se uma presa política e pede a sua libertação imediata. “O único pecado que cometi foi o de ter cumprido as minhas altas funções públicas”, terá dito. O recurso que interpôs à decisão do juiz de instrução será julgado no próximo dia 20.

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Jornalista do Esquerda.net
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