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Pela segunda vez, um paciente com VIH é considerado curado

Em ambas as situações, a primeira há 12 anos atrás, os pacientes infetados foram sujeitos a transplantes de medula óssea, destinados a tratar os seus cancros, e não o VIH. Os investigadores devem publicar o relatório sobre o "paciente de Londres" na terça-feira na revista Nature.
Linfócito infetado com VIH. Foto de NIAID/Flickr

Ainda que os cientistas estejam a descrever o caso como uma remissão a longo prazo, em entrevistas, a maioria dos especialistas fala em cura, ressalvando que é difícil saber como definir estas situações quando ainda existem apenas dois casos conhecidos.

É improvável que o transplante de medula óssea seja considerado como uma opção de tratamento viável num futuro próximo, já que existem medicamentos potentes para controlar a infeção por VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) e os transplantes acarretam sérios riscos.

Contudo, e de acordo com especialistas, introduzir no corpo células imunes modificadas de forma semelhante para resistir ao VIH pode ter sucesso.

"Isso vai inspirar as pessoas que a cura não é um sonho", afirmou Annemarie Wensing, virologista do Centro Médico da Universidade de Utrecht, na Holanda.

O "paciente de Londres", que prefere manter o anonimato, escreveu ao The New York Times, via e-mail, que se sente “responsável por ajudar os médicos a entender como isso aconteceu para que eles possam desenvolver a ciência".

“Nunca pensei que haveria uma cura durante a minha vida", acrescentou.

O primeiro paciente a ser considerado curado do VIH foi Timothy Ray Brown, 52 anos, que agora mora em Palm Springs, Califórnia. Brown teve leucemia e, após o fracasso da quimioterapia, foi submetido a dois transplantes de medula óssea. Os transplantes eram de um doador com uma mutação numa proteína chamada CCR5, que fica na superfície de certas células do sistema imunológico. O VIH usa a proteína para entrar nessas células, mas não se pode agarrar à versão mutante.

Brown sofreu complicações intensas durante meses após o transplante, tendo sido colocado em coma induzido. Chegou a correr sérios riscos de vida.

Embora o “paciente de Londres” não estivesse tão doente quanto Brown após o transplante, o procedimento também funcionou: o transplante destruiu o cancro sem efeitos colaterais prejudiciais. As células imunitárias transplantadas, agora resistentes ao VIH, parecem ter substituído completamente as suas células vulneráveis.

O “paciente de Londres” teve um linfoma de Hodgkin e recebeu um transplante de medula óssea de um doador com a mutação CCR5 em maio de 2016. Em 2017 deixou de tomar os medicamentos anti-VIH e permanece livre do vírus.

A maioria das pessoas com a mutação resistente ao VIH, denominada delta 32, é de ascendência do norte da Europa. O IciStem mantém um banco de dados com cerca de 22.000 desses doadores.

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