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Pedidos de bolsas no ensino superior batem recordes

O número de candidatos é o mais elevado de sempre nesta fase do ano letivo. As associações de estudantes consideram que a quebra de rendimentos em contexto pandémico contribui para esta realidade. Têm sido registados atrasos na decisão dos processos.
Foto de Paulete Matos.

De acordo com dados da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), citados pelo jornal Público, até à passada quinta-feira, 97.707 estudantes pediram uma bolsa de ação social no ensino superior. Este é o número mais elevado de sempre de candidatos nesta fase do ano letivo.

Em relação ao mesmo período do ano passado, quando já tinha sido batido o recorde de pedidos, registou-se um aumento de 1250 candidatos. Se forem tidos em consideração os pedidos apresentados em 2017/18, o aumento é de 4479 alunos.

O jornal diário refere que o aumento do número de candidatos a bolsa de estudo nos dois últimos anos letivos coincide com o crescimento do número de estudantes colocados nos últimos dois concursos nacionais de acesso. No entanto, é de salientar que este ano se verificou uma diminuição no número de colocados face a 2020.

A presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Ana Gabriela Cabilhas, assinala que esta estrutura tem-se deparado com um “aumento das dificuldades dos estudantes, devido às quebras de rendimentos” dos próprios ou das famílias, face aos impactos da pandemia.

“Isso é bastante evidente e as próprias associações de estudantes têm feito um esforço para elucidar os estudantes sobre os mecanismos de apoio que existem”, refere a dirigente associativa.

Os dados divulgados pela DGES mostram que menos de um terço (28%) dos processos têm decisão. A FAP informa que tem recebido queixas relacionadas com atrasos na análise dos processos. Uma das justificações para esta demora passa pelo facto de a Autoridade Tributária apenas ter disponibilizado os dados relativos aos rendimentos e património dos agregados familiares no mês de setembro. Ainda assim, os atrasos são inferiores aos registados no ano passado.

O processo é mais célere nas instituições públicas, que já analisaram 29,5% das candidaturas. Nas instituições privadas a percentagem desce para 18,9%. O Público exemplifica: a Universidade de Évora já emitiu decisão sobre 46,8% das candidaturas e o Instituto Politécnico do Porto já analisou 40,6% dos processos. Já o Instituto Politécnico da Guarda somente decidiu sobre 2,4% dos casos e o Politécnico de Viana do Castelo fica-se por pouco mais de 1%.

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