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Patrões não vão cumprir aumentos salariais acordados com o Governo

Apenas 7% dos empregadores estão dispostos a fazer aumentos salariais acima da inflação. E a maioria vai fazer aumentos abaixo da meta acordada entre patrões, Governo e UGT.
Foto de Paulete Matos.

Segundo o inquérito laboral citado pelo Expresso e realizado pela consultora de recrutamento Hays a 800 empregadores e 3.100 profissionais de vários setores, apenas 7% dos patrões portugueses estão dispostos a fazer aumentos salariais que acompanhem os valores da inflação, ou seja, acima de 10%. Para um terço dos inquiridos, os aumentos previstos são entre 2,5% e 4,9%, um valor abaixo do acordado entre as confederações patronais, o Governo e a UGT. 14% dizem pretender aumentar salários até 2,4% e 11% não irão fazer qualquer aumento. Há 2% que dizem mesmo estar a preparar cortes salariais em 2023.

Ao todo, serão pelo menos 61% dos empregadores que têm por objetivo fazer aumentos abaixo da inflação prevista para este ano. Um número que na realidade será muito superior, dado que 32% dos inquiridos respondem que pretendem fazer aumentos entre 5% e 9,9%, um intervalo suficientemente grande para colocar muitos desses salários abaixo da inflação prevista (que será de 8% nos números da Comissão Europeia e 7,4% nos do Governo português).

A confirmarem-se estas expectativas patronais, confirmam-se também as críticas da esquerda ao acordo assinado no início de outubro. Na altura, a coordenadora bloquista dizia que ele dava "duas garantias: os patrões são apoiados, mas os salários reais não aumentam. A isto chama-se empobrecimento. Os patrões dos patrões aplaudem. A UGT assina por baixo, como há dez anos assinou o acordo de Passos Coelho".

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