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Patrões das grandes empresas nacionais viram remunerações disparar em 2021

As 15 maiores empresas do índice bolsista português pagaram no ano passado 31,9 milhões de euros aos seus atuais e antigos administradores executivos. Mais de um terço deste valor foi parar ao bolso do dono do Pingo Doce.
Pedro Soares dos Santos, dono do Pingo Doce, volta a ser o CEO mais bem pago em Portugal. Foto Tiago Petinga/Lusa

Segundo as contas do jornal Eco, os presidentes executivos das 15 empresas do PSI viram as suas remunerações quase duplicar em 2021 face ao ano anterior. Se em 2020, estas empresas tinham pago 16,5 milhões de euros em salários, prémios, bónus, contribuições para planos de pensões e outras remunerações monetárias, em 2021 esse valor subiu para 31,9 milhões de euros. Das 15 empresas do índice bolsista, apenas três - EDP, REN e Corticeira Amorim - pagaram menos aos CEO do que no ano anterior.

Há várias explicações para esta subida acentuada. Por um lado, o aumento das remunerações variáveis que estas empresas cotadas em bolsa definem face à evolução dos resultados, que em geral foram positivos em 2021. Estas remunerações variáveis corresponderam no ano passado a 72,9% do total das remuneraões pagas aos administradores executivos, quando em 2020 tinham um peso de 48% nesse total. Em 2021, o valor destas remunerações variáveis disparou mais de 300% em empresas como a Jerónimo Martins, Galp Energia, Navigator e Mota Engil.

O CEO mais bem pago continua a ser Pedro Soares dos Santos, da Jerónimo Martins, que viu aumentar bastante a distância para o segundo colocado na lista graças a uma contribuição extraordinária para o plano de pensões de 9,3 milhões de euros. Somada à remuneração fixa e variável, o líder do Pingo Doce amealhou 12,4 milhões de euros, mais 380,2% do que em 2020. Aquela contribuição extraordinária desequilibra as contas totais das remunerações dos CEO, acabando a de Soares dos Santos por representar 39% do que receberam todos os administradores executivos das empresas listadas no PSI. Se retirarmos essa contribuição, o aumento geral das remunerações seria de 32,4%.

No segundo lugar no top dos CEO mais bem pagos em 2021 surge Carlos Gomes da Silva, apesar de ter sido substituído no cargo logo em fevereiro. Isso não o impediu de receber 4,1 milhões de euros, dos quais 3,75 mihões na forma de compensação. O atual administrador, Andy Brown, recebeu 1,2 milhões. Também a EDP teve dois CEO na folha de pagamentos no ano passado: o acordo de saída de António Mexia deu-lhe o direito a receber 1,3 milhões e continuará a receber remunerações até 2023; e Miguel Stilwell recebeu 1,8 milhões de euros. Acima da fasquia de um milhão de euros em remunerações estão ainda os administradores executivos da Semapa, Navigator e Sonae.

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