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Patriarcado lançou “imprudente” apelo ao voto em partidos pró-penalização do aborto

O facebook do Patriarcado de Lisboa partilhou uma imagem em que se defendia o voto nos partidos “pró-vida” favorecendo o CDS, o Basta e o Nós. A publicação foi retirada e a instituição considerou-a uma “imprudência”. Mas José Manuel Pureza considera que “imprudente é deixar crescer o fanatismo”.

A publicação durou apenas duas horas na página de facebook do Patriarcado de Lisboa antes de ser apagada por a instituição religiosa a ter considerado uma “imprudência”. A polémica dura já há mais tempo.

A “imprudência” que a causou foi um gráfico feito à medida para favorecer alguns partidos. Construído a partir de critérios ultra-conservadores pela Federação Portuguesa pela Vida, um grupo considerado próximo da Igreja Católica e que defende a criminalização da interrupção voluntária da gravidez, comparava, para além dos partidos com representação parlamentar, a Aliança de Santana Lopes, a coligação Basta e o Nós, Cidadãos.

Estes critérios de avaliação eram: “vida por nascer” (ou seja defesa da penalização do aborto), “rejeição eutanásia”, “liberdade de educação” (ou seja promoção do ensino privado), “oposição ideologia de género” (uma expressão popularizada pela extrema-direita), “proibição barrigas de aluguer” e “combate à prostituição” (ou seja defesa da sua criminalização). Acompanhavam esta publicação as hashtags #euvotoprovida e #avidaem1lugar.

Ficavam favorecidos nesta comparação o CDS, o Basta e o Nós. Bloco, PS e PAN eram chumbados em todos os critérios.

A retirada da publicação veio na sequência das perguntas feitas pelo Diário de Notícias ao Patriarcado. Este órgão de comunicação social questionou o apelo ao voto em “partidos que têm um discurso contrário à doutrina social da Igreja e ao que tem dito o Papa Francisco, por exemplo em matéria de refugiados, migrantes e de acolhimento dos estrangeiros”. Segundo o próprio jornal questionou-se também “se critérios como a defesa de políticas que promovem a exclusão social, a pobreza e o desemprego não são contrárias à defesa da vida”.

A resposta foi a retirada da publicação “por não ter ficado claro” que o Patriarcado não se revê em todas estas posições, remetendo-se a instituição à carta pastoral dos bispos sobre estas eleições, divulgada no passado dia 2 de maio. Esta para além da defesa do “direito à vida na sua gestação” e do “direito a viver até ao fim”, a imposição da proibição da eutanásia, condena o “nacionalismo de exclusão” e a “desconfiança em relação aos estrangeiros”, defende que “a pobreza conduz à violação dos direitos humanos” e considera necessário combater “a precariedade do trabalho”.

A mesma página da Federação Portuguesa pela Vida partilhou antes um gráfico idêntico sobre as eleições espanholas feito pela plataforma de extrema-direita hazteoir.org. Para além dos critérios adaptados à situação portuguesa, foram aqui incluídos critérios como “família”, “liberdade económica”, “liberdade religiosa”, “revogar a lei de violência de género”, “revogar as leis LGBTI”, “revogar as leis de memória histórica” e “união nacional”.

O resultado da comparação era o apelo ao voto no partido de extrema-direita Vox. E a Federação Portugesa pela Vida não se fez rogada escrevendo: “o voto tem que ser de rutura, tem que ser em Vox”.

“Imprudente é deixar crescer o fanatismo”

Em comentário a esta polémica, José Manuel Pureza responde também no facebook que “não esqueceremos o post da Federação Portuguesa pela Vida, não esqueceremos que foi publicado na página do Patriarcado e não esqueceremos que foi retirado por “imprudência”. Desgraçadamente, vamos ter que nos lembrar muitas vezes que imprudente é deixar crescer o fanatismo.”

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