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Parlamento Europeu põe em causa os Acordos de Paris

"O que assistimos hoje aqui constitui uma “Trumpização” das políticas europeias. Só faltou mesmo dizerem que as alterações climáticas são uma inventona", disse Marisa Matias.
Desflorestação. Foto: Crustmania/CC by 2.0
Desflorestação. Foto: Crustmania/CC by 2.0

O Parlamento Europeu votou esta terça-feira o relatório apresentado pela deputada Marisa Matias, sobre “Inclusão das emissões e remoções de gases com efeito de estufa resultantes das atividades relacionadas com o uso do solo, a alteração do uso do solo e as florestas”.

Este relatório visava proceder à adaptação para a legislação europeia o Acordo da Cimeira de Paris sobre as Alterações Climáticas.

Durante as reuniões preparatórias do documento rapidamente se assistiu à divisão entre deputados dos países do Sul, entre os quais Marisa Matias - autora do relatório -, por um lado, e os deputados nórdicos e os defensores da grande indústria florestal e do agro-negócio, por outro.

Essas divergências acabariam por se traduzir na apresentação de emendas alternativas relativamente aos mecanismos de contabilização das emissões.

O relatório foi esta terça-feira votado, tendo sido aprovada a emenda defendida pelos lobies da Finlândia, da Suécia, dos grandes produtores florestais com o apoio dos deputados do PPE, com excepção da relatora sombra - a deputada espanhola Pilar Ayuso, dos deputados do ALDE e de uma parte dos deputados do S&D.

A emenda hoje aprovada, e consequentemente a redacção final do relatório, põe em causa legislação europeia anteriormente aprovada, nomeadamente a relativa à Decisão de Partilha de esforços (DPE) que define os objetivos vinculativos anuais em matéria de emissão de gases com efeito de estufa para os países da UE para o período de 2013-2020.

Marisa Matias acabou por votar contra o seu próprio relatório e à saída da reunião afirmou: “Não podemos criticar o Acordo da Cimeira de Paris por ficar aquém das necessidades e depois fazer tábua rasa do mesmo. Não podemos criticar Trump e a sua política energética e industrial e fazer o mesmo para proteger a grande indústria florestal finlandesa. Até ao dia de hoje a questão do combate às alterações climáticas era uma questão séria no âmbito da UE.”

“O que assistimos hoje aqui constitui uma “Trumpização” das políticas europeias. Só faltou mesmo dizerem que as alterações climáticas são uma inventona. Espero que a Comissão ENVI [Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar] que terá a última palavra a dizer sobre esta questão antes do voto em plenário, seja menos susceptível aos lobies da indústria”, concluiu.

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