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Parlamento Europeu opõe-se a dividendos da banca em 2020

Em comunicado, os coordenadores da Comissão de Assuntos Económicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu exigem também restrições às operações de recompra de ações próprias por parte dos bancos enquanto durar a crise.
Parlamento Europeu. Foto: Bruxelles5/Flickr
Parlamento Europeu. Foto: Bruxelles5/Flickr

Os coordenadores da Comissão de Assuntos Económicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu emitiram hoje um comunicado exigindo aos reguladores europeus da banca que “limitem fortemente” a distribuição de dividendos e restrinjam as operações de recompra das próprias ações por parte dos bancos, enquanto a Europa lida com as consequências do surto de Covid-19. O comunicado foi elaborado pelos coordenadores da ECON, entre os quais José Gusmão, eurodeputado do Bloco de Esquerda e do grupo GUE/NGL.

 

O objetivo principal é reduzir os entraves à transmissão da política monetária do BCE à economia real. Na prática, os coordenadores da ECON pretendem que a folga resultante da política monetária expansionista do BCE esteja “totalmente disponível para apoiar os clientes, isto é, as famílias e as empresas”, e não seja usada para pagar dividendos aos acionistas ou adquirir as próprias ações. Numa altura em que a UE enfrenta dificuldades no combate à recessão, o foco da banca deve ser garantir a concessão de empréstimos e liquidez às empresas e famílias afetadas e não manter as práticas de aumento da remuneração dos acionistas e gestores de topo.

Este comunicado surge num contexto em que o BCE também pediu aos bancos que adiassem o pagamento de dividendos e a recompra de ações pelo menos até outubro. O UniCredit anunciara no início do ano que pretendia pagar 8 mil milhões aos acionistas entre 2020 e 2022, e outros bancos também tinham planeadas operações semelhantes.

O pedido do BCE surge depois de ter diminuído os rácios de capital que exige que os bancos mantenham, numa tentativa de evitar que a concessão de crédito se reduza significativamente, o que aumentaria as dificuldades de várias empresas e teria efeitos recessivos para o conjunto da economia. O ex-presidente do BCE, Mario Draghi, defendeu recentemente que “os bancos devem emprestar dinheiro a custo zero às empresas preparadas para salvar empregos”. Para Draghi, a crise exige medidas fortes e “o custo da hesitação pode ser irreversível”.

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