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“Panama papers”: Um verdadeiro assalto aos países e a quem vive do seu trabalho

Após uma reunião com a CGTP, Catarina Martins afirmou que quem foge às suas obrigações, a par de “assaltar quem vive do seu trabalho e paga os seus impostos”, esconde negócios ilegítimos, alimentando as máfias e a corrupção. Arménio Carlos também defendeu ser tempo de "acabar com o offshore da Madeira, porque não emprega pessoas e dá cobertura a estas práticas".
Foto de Paulete Matos.

Referindo-se ao “Panama Papers”, a porta voz bloquista sublinhou que este escândalo comprova o que já é conhecido por todos: que há “dinheiro a circular na Europa, no mundo e certamente no nosso país que foge aos impostos e a todas as obrigações e, portanto, é um verdadeiro assalto que é feito aos países, às sociedades”.

“Cada vez que alguém foge às suas obrigações, que alguém esconde o seu dinheiro há duas certezas que temos: a primeira é que está a roubar a riqueza aos países, está a assaltar quem vive do seu trabalho e paga os seus impostos, a segunda é que está seguramente a esconder negócios que são ilegítimos, alimentando as máfias mais perigosas do planeta e alimentando a corrupção”, acrescentou.

Catarina Martins lembrou que “o Bloco de Esquerda tem tido posições fortes sobre esta matéria”, defendendo “o fim dos offshores e que Portugal devia dar o exemplo com a praça financeira que tem na Madeira”.

A deputada referiu ainda os projetos bloquistas sobre enriquecimento ilícito e sobre a obrigação de reporte de todas as transferências para offshores, garantindo que estes são “temas que o Bloco não esquece e dos quais não desistirá”.

“Este é o momento para retirar a troika da legislação laboral”

No final da reunião com a intersindical, Catarina Martins disse que “o Bloco de Esquerda tem uma convergência grande com a CGTP”, sublinhando que, “passado o Orçamento do Estado para 2016, este é o momento para retirar a troika da legislação laboral”, de “reativar a contratação coletiva, reativar os direitos mais básicos dos trabalhadores, valorizar salários e valorizar a dignidade do trabalho”.

A dirigente bloquista defendeu que “um país tão desigual precisa de salário porque o salário é a primeira forma de redistribuir rendimento” e assinalou a importância da luta contra a precariedade para defender os direitos dos trabalhadores e para combater a concorrência desleal das empresas que usam práticas ilegais de abuso da precariedade.

“as reformas só têm sentido se servirem para criar emprego: ou o Plano de Estabilidade prevê a criação líquida de emprego ou não serve os interesses do país”

Sobre o Plano Nacional de Reformas e o Plano de Estabilidade, Catarina Martins reiterou que, para o Bloco de Esquerda, “as reformas só têm sentido se servirem para criar emprego: ou o Plano de Estabilidade prevê a criação líquida de emprego ou não serve os interesses do país”.

Já no que respeita à proposta do Governo de investir, através do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), 1400 milhões de euros na reabilitação urbana, a porta voz do Bloco afirmou que o Bloco “ainda terá de analisar essa medida”, mas lembrou que, se por um lado, o FEFSS já foi utilizado para fazer investimentos segundo uma lógica de “casino financeiro”, por outro lado, já se recorreu a este fundo para projetos imobiliários de habitação que tiveram um bom resultado, e foram projetos importantes para a promoção do direito à habitação e que tiveram retorno face ao investimento da Segurança Social (SS).

“Esta proposta só pode sequer ser considerada se for um projeto que garanta retorno à SS, for um projeto feito em nome da sustentabilidade da SS, e que tenha um sentido social e não de especulação”, defendeu.

Catarina Martins deixou uma garantia: “O Bloco nunca votará a favor ou fará parte de nenhum projeto, programa, legislação que enfraqueça os rendimentos de quem vive do trabalho, que promova mais precariedade ou desemprego e que destrua o Estado Social”.

Offshores: “espaços privilegiados de lavagem de dinheiro, negócios ilícitos, fuga e fraude fiscal”

"Confirma o que a CGTP sempre disse, que são espaços privilegiados de lavagem de dinheiro, negócios ilícitos, fuga e fraude fiscal, usados pelos chamados `chicos espertos` para continuar a viver à grande e à francesa, à custa daqueles que todos os dias trabalham", avançou o secretário-geral da CGTP, defendendo ser tempo de "acabar com o offshore da Madeira porque não emprega pessoas e dá cobertura a estas práticas".

Arménio Carlos destacou a "grande sintonia nas prioridades para os trabalhadores e o país" com o Bloco, sobre "um conjunto de medidas de valorização do emprego, baseada na estabilidade e na segurança, com o aumento geral salários, a contratação coletiva”.

“Panama papers, um verdadeiro assalto aos países" | ESQUERDA.NET

Bloco de Esquerda reúne com a CGTP | ESQUERDA.NET

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