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Países querem rebentar metas climáticas na produção de combustíveis fósseis

O alerta é de um relatório das Nações Unidas: a produção de combustíveis fósseis prevista pelos governos é o dobro do necessário para manter o limite de 1.5ºC do aumento de temperatura média global.
Protesto em Washington pelo desinvestimento nos combustíveis fósseis. Foto Victoria Pickering/Flickr

A poucas semanas de mais uma cimeira do clima, continua a ser evidente que pouco está a ser feito para travar a catástrofe climática a que o planeta irá assistir nas próximas décadas. Apesar das promessas feitas em anteriores cimeiras, o fosso entre os planos para extrair petróleo, gás e carvão e o limite requerido para cumprir as metas climáticas é hoje tão grande como era em 2019, antes da pandemia.

A conclusão é do Programa Ambiental da ONU (UNEP), num relatório feito a partir dos números oficiais e citado pelo Guardian. A produção de petróleo e gás promete aumentar nas próximas duas décadas e a de carvão diminuirá, mas pouco. Tudo somado, o planeta irá ter em 2030 o dobro da extração de combustíveis fósseis do que se comprometeu para manter o aumento de temperatura limitado a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais. Mesmo se tivermos em conta a meta mais perigosa de 2ºC de aumento de temperatura, ainda assim a produção de combustíveis fósseis prevista fica 45% acima do necessário para a cumprir.

“Os impactos devastadores das alterações climáticas estão à vista de todos. Na Cop-26 e depois dela, os governos mundiais têm de agir e dar passos rápidos para fechar o fosso da produção de combustíveis fósseis e assegurar uma transição justa e equitativa”, defendeu a diretor executiva do UNEP, Inger Andersen.

No topo da tabela dos grandes produtores de combustíveis fósseis, tanto os EUA como o Canadá, Arábia Saudita, Austrália e China preveem todos aumentar a extração de petróleo e gás, enquanto a Rússia irá extrair mais carvão. Desta lista de grandes produtores, apenas o Reino Unido e a Indonésia têm planos para diminuir a produção de petróleo e gás.

O apoio financeiro público às atividades da indústria dos combustíveis fósseis também aumentou desde o início da pandemia, resultando em mais de 300 mil milhões de dólares, mais do que o financiamento destinado às energias limpas.

Para o diretor do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI), que também participou neste relatório, o papel dos governos é fundamental, uma vez que “as empresas públicas controlam mais de metade da produção de combustíveis fósseis a nível global e as políticas de investimento público dão forma aos mercados da energia”.

A mesma opinião tem António Guterres, para quem este relatório mostra que “ainda temos um longo caminho até chegar a um futuro com energia limpa”. Por isso, o secretário-geral da ONU diz que “é urgente que os grandes financiadores mudem os seus investimentos do carvão para as renováveis”.

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