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Padre Max e Maria de Lurdes foram assassinados há 44 anos

O Padre Maximino Barbosa de Sousa e a sua aluna Maria de Lurdes, de 19 anos, morreram na sequência da explosão de uma bomba no carro em que seguiam. O atentado foi da autoria do movimento fascista MDLP. Artigo publicado em Interior do Avesso.
O Padre Max e Maria de Lurdes foram assassinados no dia 2 de abril de 1976
O Padre Max e Maria de Lurdes foram assassinados no dia 2 de abril de 1976

No caminho para casa da jovem de 19 anos, o padre Max, então candidato independente a deputado pela União Democrática Popular (UDP), parou por breves momentos em casa de um amigo. Tinha de ir buscar um garrafão de cinco litros que tinha emprestado. Encontrou-se com o amigo Carlos e trocaram umas quantas palavras e, depois, professor e aluna voltaram a entrar no carro para seguirem viagem. Mas não. Ouviu-se uma explosão. Uma bomba tinha explodido no carro onde o padre Max e Maria de Lurdes seguiam, a sete quilómetros de Vila Real, na Cumieira. Tiveram morte imediata. O assassinato teve lugar a 2 de abril de 1976. Foram enterrados dias depois num funeral de caixão fechado. Centenas de pessoas estiveram presentes e as suas mortes mostraram a ameaça que atuava no país durante a Revolução dos Cravos.

O padre Max e Maria de Lurdes foram vítimas de uma célula terrorista do Movimento Democrático de Libertação Nacional (MDLP), formada por António de Spínola a 5 de maio de 1975 em Madrid. Além de ser bastante próximo da UDP, o padre Max tinha-se destacado a defender os oprimidos no seu percurso religioso, impondo-se contra a hierarquia católica (a Igreja Católica tinha fortes ligações à extrema direita). O padre Max fazia discursos em comícios em que acusava o clero “de conservar o povo ignorante para assim o dominar”, segundo refere Miguel Carvalho no livro “Como Portugal Ardeu”.

O MDLP era uma rede terrorista de extrema-direita inicialmente composta por militares, mas que se alargou nos meses em que atuou. Tinha o apoio do regime do ditador Francisco Franco. Organizou e levou a cabo uma série de atentados terroristas no país, numa tentativa desesperada de travar a Revolução de Abril.

Com o 25 de Novembro de 1975, estas células reduziram a sua atividade, acabando por desaparecer.

As redes de extrema-direita foram ignoradas por os seus atos servirem ao regime recém-instaurado como prova de ter existido um ambiente de iminente insurreição comunista para tomar o poder. O golpe militar reacionário de 25 de Novembro é assim legitimado. O Grupo dos 9 foi saudado e ainda hoje é continuamente elogiado.

Os responsáveis pelos assassinatos do padre Max e de Maria de Lurdes nunca foram condenados pela Justiça. A Polícia Judiciária do Porto não via outro motivo que não o passional, pois achavam que o “padre Maximino não gozava de boa reputação”. 

Artigo publicado em Interior do Avesso, a 2 de abril de 2020.

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