Pacote de medidas para a economia mostrou “visão preguiçosa do Governo”

07 de julho 2024 - 18:33

Em Viseu, Mariana Mortágua criticou as propostas apresentadas esta semana pelo ministro das Finanças, por repetir as receitas de baixar impostos às maiores empresas e de apostar no aumento do turismo.

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Mariana Mortágua na Sementeira 2024
Mariana Mortágua na Sementeira 2024. Foto de Tiago Resende

Mariana Mortágua visitou este domingo a iniciativa cultural Sementeira - Mostra de Artes Visuais e Performativas, promovida anualmente pelo Bloco de Esquerda e que leva ao centro de Viseu concertos, exposições e debates. Em declarações aos jornalistas à margem da visita, falou do pacote económico apresentado pelo ministro das Finanças, que acusou de mostrar uma “visão preguiçosa” de quem “não quer saber nem olhar para o nosso território”. Deu o exemplo das urgências pediátricas de Viseu que o atual Governo encerrou no Dia Mundial da criança ou da linha ferroviária da Beira Baixa que está fechada para obras “há mais tempo do que tudo o tempo que demorou a construir há dezenas de anos”, mas também do setor da Cultura, cuja produção está cada vez mais dependente dos municípios.

“Estão aqui três exemplos de como nós podemos desenvolver a economia, desenvolver o interior, apostar em transportes públicos na ferrovia. Apostar em bons serviços públicos no caso da pediatria dos hospitais, também nos serviços de saúde primária e também poder ter uma aposta forte na cultura. Parece-me que é uma visão bem mais interessante do que aquela que o Governo nos apresenta”, assente no reforço da aposta no turismo e em baixar impostos às maiores empresas, prosseguiu.

Sessão de leituras encenadas a seguir à visita guiada à exposição coletiva da Sementeira
A seguir à visita guiada à exposição coletiva, houve leituras encenadas na Sementeira - Mostra de Artes Visuais e Performativas. Foto de Tiago Resende

 

Questionada sobre os pedidos dos empresários da região para descontos nos impostos para as empresas e pessoas se fixarem no interior, Mariana Mortágua concordou que esses incentivos são necessários, mas alertou que “a visão que acha que dando descontos fiscais se resolve os problemas da economia é uma visão errada, preguiçosa, que simplesmente isenta o Governo de ter uma visão, de olhar para este território nas suas potencialidades, das suas pessoas, das suas gentes”. E lembrou que as sucessivas reduções do IRC desde os anos 1970 com a promessa de pôr a economia a crescer apenas resultou no crescimento do turismo, da construção e da finança. Ou seja, “não conseguimos ter uma economia desenvolvida e à altura do século XXI”.

A coordenadora bloquista defende por isso que “está na altura de perceber que é preciso mudar de estratégia e olhar com vontade para o nosso território e para a nossa economia e encontrar alternativas para a transição climática, para apostar na cultura, nos transportes e nos serviços públicos”.

Questionada ainda sobre a segunda volta das legislativas francesas deste domingo, com as sondagens a dare vantagem à extrema-direita da União Nacional, Mariana Mortágua sublinhou o perigo que este partido representa por estar “assente na xenofobia e sempre no ódio, no medo, na divisão”. E contrapôs o papel que a esquerda, e em particular a França Insubmissa, teve em conseguir criar condições para “apresentar um plano alternativo para a França”, capaz de dar esperança ao seu povo.

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