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“Os lucros das farmacêuticas não podem valer mais que o direito à saúde”

Em reunião com técnicos auxiliares de saúde sobre a sua carreira, Catarina Martins apelou a que se olhe para “o grande abuso das farmacêuticas” que foram pagas com dinheiro dos contribuintes e “não estão a fornecer aquilo que prometeram”.
Catarina Martins encontra-se com Técnicos Auxiliares de Saúde. Foto de PAULO NOVAIS/LUSA.
Catarina Martins encontra-se com Técnicos Auxiliares de Saúde. Foto de PAULO NOVAIS/LUSA.

Catarina Martins reuniu esta segunda-feira com a Associação dos Técnicos Auxiliares de Saúde, em São João de Ver, no concelho de Santa Maria da Feira. A coordenadora do Bloco encontrou-se com estes profissionais no momento em que se discute na especialidade a criação da sua carreira, na sequência da aprovação em janeiro do projeto de lei do Bloco, que contou com os votos contra do PS e a abstenção do CDS e da Iniciativa Liberal.

O Bloco considera importante que este trabalho na especialidade decorra de forma rápida e séria porque “é fundamental garantir-lhes as condições para que não queiram ir embora”. Para sublinhar o papel destes trabalhadores no Serviço Nacional de Saúde, Catarina Martins apresentou-os como “trabalhadores que estão todos os dias nos hospitais, nos centros de saúde, nos lares” e que dão cuidados aos utentes como a alimentação, higiene, “o conforto e o carinho possível numa altura tão difícil”. Mas também “são os responsáveis pela higienização dos espaços, pela segurança dos espaços de saúde”. Ou seja, não lhes falta qualificação nem responsabilidade, mas falta-lhes carreira. E, assim, a sua base salarial é o salário mínimo, fazendo “turnos muito longos”. Para além disso, “não têm fins de semana, não têm feriados, estão na linha da frente e não têm o reconhecimento básico da sua carreira”.

Os Estados têm de começar a produzir as vacinas

Questionada sobre as situações de abuso detetadas em alguns processos de vacinação, Catarina Martins começou por sublinhar o “extraordinário trabalho de vacinação” que está a ser feito e pelo qual “devemos estar muito gratos”.

Sobre esses abusos noticiados, reiterou que têm de ter consequências e que são um “desrespeito imenso”. Mas também disse que “era bom que não olhássemos só para os pequenos abusos e que olhássemos também para o grande abuso das farmacêuticas que foram pagas com dinheiro dos contribuintes e estão a regatear as vacinas, não estão a fornecer aquilo que prometeram”.

A porta-voz bloquista sustenta que “o maior problema” é a escassez de vacinas. Sendo que estas “foram pagas com milhões de euros dos contribuintes europeus”, que se baseiam “em investigação científica que foi feita ao longo de décadas também financiada por fundos públicos”. Para Catarina, este é “o momento de a União Europeia, que fez um trabalho de articulação para ser possível a vacina, dar o passo seguinte que é produzir a vacina”. Os próprios Estados têm de começar a produzir as vacinas porque “as patentes das farmacêuticas e os lucros das farmacêuticas não podem valer mais do que o direito à saúde”.

E o exemplo de Portugal, que estava previsto que “pudesse receber quatro milhões de vacinas até março” e “pelos vistos vai ser metade”, foi a prova avançada para mostrar que “as farmacêuticas estão a brincar connosco. Foram pagas as vacinas e estão a dizer que vão dar metade do que estava acordado”.

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