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Ordem dos Médicos apela ao Governo para "repor normalidade no SAMS"

Conselho Nacional da Ordem dos Médicos condena encerramento do hospital e clínicas e diz que o seu custo para a saúde pública exige uma intervenção do Estado. Bloco já tinha apelado ao Governo para requisitar os meios e o pessoal daquela instituição em reforço do SNS.
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Paciente em exame médico nas instalações do SAMS. Foto SAMS.

Em comunicado citado pela Lusa, a Ordem dos Médicos condenou a decisão “incompreensível" dos órgãos dirigentes do SAMS de encerrar o seu hospital e clínicas e exigiu a reposição" de todas as condições que permitam manter o contacto e o acesso aos cuidados de saúde", solidarizando-se com médicos e doentes.

A Ordem afirma também que "o custo público e para a saúde pública decorrente da decisão do sindicato dos bancários torna obrigatória uma posição do Estado sobre este tema". É de referir que a Direção-Geral da Saúde (DGS) apenas determinou o encerramento da urgência do hospital nos Olivais, em Lisboa, e não o fecho de toda a atividade do SAMS, como acabou por acontecer. Por isso, a Ordem "insta o Governo, através do Ministério da Saúde, a socorrer-se do Estado de Emergência declarado, para ter uma intervenção que permita repor a normalidade no SAMS”. 

Para a Ordem dos Médicos, a situação torna-se particularmente "gravosa” quando foi enviado, a 24 de Março, um email individual a todos os médicos a informar que que a Comissão Executiva iria aplicar o regime de lay-off. Segundo a Ordem, o SAMS conta com universo de "cerca de 94 mil beneficiários, que durante anos foram seguidos pelos seus médicos nesta instituição onde têm toda a sua história clínica e que foram deixados ao abandono, sem continuidade de cuidados e com a sugestão de procurarem outras instituições, quebrando a relação médico-doente e violando todas as regras éticas” e impedindo a possibilidade "de manter pelo menos o contacto remoto/consulta telefónica com os doentes, como se mantêm noutras instituições do SNS ou privadas".

De acordo com o comunicado da Ordem citado na Lusa, o SAMS manteve-se em funcionamento  “exclusivamente para assegurar os tratamentos em curso na Unidade de Oncologia e na Unidade de Radioterapia”. “Para a prescrição de medicamentos urgentes foi assegurado apenas um número de telefone, o que tem inviabilizado a manutenção do contacto dos médicos com os doentes, bem como o acesso a dados clínicos necessários para apoiar decisões”, é sublinhado.

A Ordem salienta que este encerramento tem impacto nos cerca de 94 mil beneficiários do SAMS, que deixaram de ter apoio e também de forma indireta no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e noutras unidades privadas, numa altura em que o país vive grandes dificuldades devido à pandemia.

No final do mês passado e após o fecho desta unidade hospitalar, a par de outras unidades de saúde privadas, o Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a possibilidade da requisição civil de privados para reforçar o SNS. O Sindicato Independente dos Médicos apoia a decisão de requisição civil, tendo mesmo avançado com o mesmo pedido ao Governo após o fecho do hospital do SAMS.

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