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"Orçamento garante quebra real de salários e pensões”

Catarina Martins lembrou que os preços já subiram quatro vezes mais do que os salários e, como não são atualizados à inflação, continuam a encolher. A coordenadora do Bloco alertou ainda que esta quebra real de rendimentos estende-se a toda a economia.
Catarina Martins no debate desta quinta-feira. Imagem ARTV.

“Se bem me lembro, e citando as suas palavras, o que prometia na campanha eleitoral era uma melhoria de rendimentos. Aqui chegados, temos um Orçamento que, como o ministro das Finanças já reconheceu, tem quebra real de salários, quebra real de pensões e de outras prestações sociais”, afirmou Catarina na sessão plenária desta quinta-feira.

A dirigente bloquista referiu que as medidas apresentadas pelo executivo “já estavam previstas antes deste ciclo de inflação”, e nem sequer foram ajustadas à realidade que estamos a viver.

 

Acresce que o que o Governo “promete como grande medida, que é a baixa de Imposto Sobre Produtos Petrolíferos, é, de facto, apenas o Governo a abdicar de uma pequena parcela do brutal aumento de receita que terá com este ciclo de inflação”.

Catarina Martins afirmou ainda que PS e PSD falam muito em “contas certas”, mas “nem se aperceberam que nos investimentos estruturantes há uma revisão em baixa do primeiro documento para este Orçamento do Estado”. É o que acontece, por exemplo, na Saúde, com a verba a baixar de 251 milhões para 115 milhões de euros.

“A questão é que os preços já subiram quatro vezes mais do que os salários e, como não são atualizados à inflação, continuam a encolher. E ainda que acreditemos que esta inflação é transitória, o que o Governo aqui nos propõe é uma quebra real permanente de salários e de pensões”, continuou a coordenadora do Bloco.

Usando as “previsões otimistas do executivo”, Catarina ilustrou a quebra de rendimentos. Um trabalhador que ganhe 1250 euros, para não perder rendimento face à inflação, precisava de uma atualização de 50 euros por mês. Contudo, o Governo propõe um aumento no Estado, e que é um “sinal para o privado”, de 11,25 euros. Isto implica que o trabalhador no final do ano tem uma quebra salarial real de 542,5 euros. Já um pensionista com um aumento extraordinário de 10 euros, e que receba uma pensão de 1000 euros, acaba por perder 420 euros num ano. O corte é real “mesmo para os mais pobres dos pobres”: de acordo com um estudo da Universidade Nova, seria preciso um apoio mensal de 40 euros, ou seja, 480 euros por ano, para os mais fragilizados. Ao invés disso, o executivo anunciou 60 euros para todo o ano, o equivalente a 5 euros por mês. E não atualiza o Indexante dos Apoios Sociais (IAS) à taxa da inflação.

“Esta quebra real de rendimentos estende-se a toda a economia”

“A obstinação do PS em manter as leis laborais da troika enfraqueceu os mecanismos de atualização dos salários no setor privado e a decisão de quebra de salários no setor público é a desculpa que os patrões esperavam para impor quebra de salários em toda a economia. Aliás, os representantes dos patrões, através da CIP, já vieram dizer que era o que mais faltava mexer nos salários para responder à inflação. E, para isso, pediram emprestado o mantra que o Governo tem vindo a repetir: prudência”, avançou a dirigente do Bloco.

E enquanto o Governo e os patrões “se unem no refrão que vai condenando os salários de quem trabalha, os administradores das maiores empresas portuguesas aumentaram os seus próprios rendimentos em 90%, fora os lucros entregues aos acionistas. Aí já não há prudência que nos valha”, acrescentou.

No final da sua intervenção, Catarina deixou uma questão ao Governo: Se este reconhece que “os preços não vão baixar e os salários e pensões não são atualizados à inflação, como é que se pode concluir outra coisa deste Orçamento que não uma opção do governo do Partido Socialista pela queda permanente e real de salários em Portugal?”.

“Este é um orçamento de empobrecimento”

"Quando o salário aumenta muito menos que o custo de vida, só há um nome: empobrecimento. É um Orçamento do Estado empobrecimento e é isso que conta", apontou José Soeiro.

O deputado lembrou que os funcionários públicos "vão levar uma talhada" no seu vencimento e que "os trabalhadores do privado vão perder poder de comprar à boleia do exemplo que o Estado dá".

“O Orçamento tem obrigação de responder à inflação e não o faz”, frisou José Soeiro.

 

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