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Orbán quer tirar adesão da Ucrânia da agenda do Conselho Europeu

Esta terça-feira, o presidente ucraniano vai voltar a pedir armas e dinheiro aos senadores dos EUA. Expectativas do início das negociações de adesão à UE "são infundadas", diz o primeiro-ministro húngaro. Na Bulgária, o Presidente vetou entrega de blindados a Kiev. Camionistas eslovacos juntaram-se aos polacos no bloqueio das fronteiras com a Ucrânia.
Charles Michel e Viktor Orbán
Charles Michel e Viktor Orbán. Foto União Europeia.

Com a prometida contraofensiva a não ter o resultado esperado e a guerra a continuar a matar soldados e civis diariamente sem alterações significativas no terreno, o presidente ucraniano vai tentar convencer esta terça-feira os senadores norte-americanos a aprovarem um novo pacote de armamento e apoio financeiro ao seu país. Vladimir Zelensky vai intervir por videoconferência num encontro à porta fechada com os senadores, acompanhado pelos responsáveis pela defesa ucraniana. A pressão sobre o Congresso para aprovar um novo pacote financeiro para a Ucrânia vem também da Casa Branca, com o conselheiro de segurança Jake Sullivan a dizer aos jornalistas que quem votar contra esse pacote, estará a ajudar Putin a vencer a guerra.

Por seu lado, o novo líder republicano da Câmara dos Representantes responde que a administração Biden ainda não deu resposta às suas preocupações sobre a "ausência de uma estratégia clara para a Ucrânia" e insiste em ligar qualquer novo pacote de ajuda a mudanças na política de migração dos EUA numa altura em que aumenta a entrada de migrantes na fronteira com o México.

Orbán não quer entrada da Ucrânia na agenda do Conselho da UE

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, considerado o maior aliado de Putin na União Europeia, escreveu ao presidente do Conselho Europeu a pedir que não agende para a próxima reunião a realizar em dezembro o tema da abertura de negociações para a entrada da Ucrânia na UE.

"Insto respeitosamente a que não convide o Conselho Europeu a decidir sobre estes assuntos em dezembro, uma vez que a evidente falta de apoio vai conduzir inevitavelmente ao fracasso", diz a carta de Orbán a Charles Michel, citada pela agência Lusa. O chefe do governo húngaro afirma que "dado o atual nível de preparativos políticos e técnicos", as expectativas de sair da reunião o início das negociações de acesso da Ucrânia à UE "são infundadas".

Presidente búlgaro veta entrega de veículos blindados

O governo da Bulgária assinou em agosto um acordo com a Ucrânia de ajuda militar que previa a entrega de cem veículos blindados. A entrega teve luz verde do parlamento búlgaro, mas o veto presidencial desta semana vai atrasar a concretização do envio do material militar.

O presidente Rumen Radev devolveu o decreto ao Parlamento, apelando a uma nova discussão tendo em conta a importância dos veículos para a segurança nas fronteiras da Bulgária e na ajuda às populações em situações de emergência e catástrofe. No veto presidencial, Radev diz que os deputados não terão compreendido inteiramente as especificidades desta doação, o que reduz a sua capacidade em avaliar com detalhe a necessidade destes equipamentos. Confrontado pelos jornalistas com o veto, o primeiro-ministro Nikolai Denkov respondeu que "este veto será ultrapassado, por isso não tenho nenhum comentário a fazer".

Camionistas eslovacos juntam-se aos polacos nos bloqueios das fronteiras

Há várias semanas que os camionistas polacos estão a bloquear a passagem de camiões ucranianos, em protesto contra o que dizem ser concorrência desleal. E na semana passada viram juntar-se os camionistas da Eslováquia, que bloquearam uma das passagens da fronteira entre os dois países, permitindo a passagem de apenas quatro camiões por hora. Com o início da guerra, a União Europeia isentou os transportadores rodoviários de mercadorias ucranianos das autorizações que antes eram necessárias. Os transportadores polacos, até então líderes do mercado de transportes da UE, queixam-se que os vizinhos ucranianos passaram a fazer serviços não apenas entre a Ucrânia e países da UE mas também entre países da UE, a preços mais baixos que os que eram praticados no mercado.

Os bloqueios deixaram milhares de camionistas ucranianos bloqueados nas fronteiras polacas quando regressavam ao seu país, com filas de dezenas de quilómetros. Outra reivindicação dos transportadores polacos, entretanto já parcialmente atendida, é que os seus camiões vazios que regressam da Ucrânia sejam excluídos do sistema eletrónico ucraniano eCherha, que alegam provocar tempos de espera excessivos na fronteira.

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