A oposição no Zimbabué acusa a União Africana Nacional do Zimbabué-Frente Patriótica (ZANU-PF), vencedora das eleições do passado mês de juho, de exercer uma repressão generalizada contra os contestatários do ato eleitoral. Emmerson Mnangagwa garantiu a sua continuidade como Presidente e a continuidade da ZANU-PF no poder ao conseguir 50,8% dos votos.
Segundo representantes de Nelson Chamisa, líder da oposição e segundo candidato à Presidência do Zimbabué mais votado (a sua candidatura obteve 44,3% dos votos), a repressão generalizada visa amedrontar as pessoas e dar uma falsa impressão de normalidade, com a continuidade das detenções.
"Estão a tentar paralisar a oposição, para que não haja mais resistência ou ação contra os falsos resultados. O que se está a passar está a tornar-se mais perigoso em cada dia. Sabemos que são procuradas 4 000 pessoas, desconhece-se a razão, mas sabemos que é para intimidação ", dizem em comunicado.
Denunciam igualmente o desaparecimento de meia centena de opositores do Movimento para a Mudança Democrática (MDM), referindo que a "situação é inquietante" uma vez que "os polícias vão às casas e levam as pessoas para destinos desconhecidos, não é para os postos da polícia". Os 27 opositores do MDM detidos na semana passada serão presentes a tribunal esta segunda-feira que deverá pronunciar-se pela liberdade provisória ou pela continuidade da detenção.
Decorrem manifestações nas ruas do país desde que surgiram os primeiros resultados das eleições presidenciais. Na sequência das mesmas, foram detidos 27 manifestantes.