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Open Arms a caminho de Lampedusa

Navio da Open Arms parado há quase duas semanas no mar, com cerca de 150 migrantes a bordo, obteve finalmente autorização para desembarcar em Lampedusa. Um tribunal italiano levantou a proibição de desembarque imposta por Matteo Salvini.
Foto: Francisco Gentico/Open Arms/Instagram.
Foto: Francisco Gentico/Open Arms/Instagram.

Após 12 dias parado no mar à espera de um porto para desembarcar, com 151 migrantes resgatados do mar a bordo, o navio da Open Arms já se encontra a caminho de Lampedusa. Um tribunal administrativo italiano anulou o despacho de Matteo Salvini, ministro do interior, que proibia a entrada do navio em águas territoriais italianas. O tribunal fundamentou a decisão com a necessidade de prestar assistência humanitária às pessoas a bordo. A organização humanitária espanhola confirmou a informação no Twitter.

O navio da Open Arms, como o Esquerda.net noticiou ainda esta quarta-feira, tinha resgatado do mar em três operações diferentes 151 pessoas que haviam partido da Líbia, mas foi impedido de entrar em águas italianas por decisão de Matteo Salvini. Ficou parado a 50 quilómetros de Lampedusa, aguardando que se resolvesse o impasse. Itália dizia que, sendo o navio espanhol, os migrantes eram responsabilidade de Espanha; Espanha afirmava que o capitão do navio humanitário não tinha capacidade legal para pedir asilo para os imigrantes resgatados. A Open Arms denunciou o abandono do navio pelos países da Europa que fecham os seus portos aos migrantes salvos no Mediterrâneo, numa das rotas de migração mais perigosas e letais do mundo: "É o infame silêncio da Europa. A falta de humanidade e empatia torna-os mais culpados", afirmou em comunicado.

José Manuel Pureza, em declarações ao Esquerda.net, lamentou o caso como mais uma demonstração de uma Europa que "se rende aos ditames de Salvini" e "só dá sinais de cumplicidade com a política de extrema-direita, que faz dos migrantes uma espécie de bode expiatório de todas as más políticas da Europa".

O impasse durou 12 dias e motivou apelos de várias organizações internacionais às autoridades de Itália e Malta para desbloquear a situação, como os Médicos sem Fronteiras e o SOS Mediterrâneo, que operam um outro navio na mesma situação, o Ocean Viking. O ator norte-americano Richard Gere, em solidariedade com a causa, também visitou o navio na sexta-feira passada. Gere fez-se fotografar ao lado dos migrantes e criticou Matteo Salvini comparando-o a Donald Trump. Salvini ripostou num comunicado, aconselhando Gere a "levar as pessoas a bordo de volta com ele para Hollywood".

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