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Opart: trabalhadores dizem que caem ratos na plateia, ministra tem vergonha da desorganização

“Temos ratos a cair na plateia, em cima do público, durante os espectáculos”, dizem trabalhadores do organismo que tutela São Carlos e CNB. Exigem assim melhoria de condições para além de harmonização salarial. Ministra diz que tem vergonha da desorganização estrutural da instituição.
Trabalhadores do Opart frente ao Teatro Camões.
Trabalhadores do Opart frente ao Teatro Camões. Foto de João Costa.

O Sindicato dos Trabalhadores do Espectáculo (Cena-STE) deu voz esta terça-feira aos trabalhadores da Opart, instituição que gere a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de São Carlos, para explicarem as razões da sua greve.

O ponto da agenda reivindicativa destes trabalhadores que tem sido mais divulgado tem sido a harmonização salarial e de horários entre os trabalhadores. André Albuquerque do CENA-STE esclarece que o que se pretende é um ajustamento de salários para chegar a essa harmonização e não, como Graça Fonseca, Ministra da Cultura, diz “um aumento salarial superior a 10%”. Para o dirigente sindical por mais que insista a Ministra, isso “será sempre uma mentira.”

Trata-se de conseguir que os 22 técnicos do São Carlos obtenham o mesmo valor de trabalho por hora do que os da CNB. Para resolver a questão com retroativos a 2017, seriam precisos cerca de 80 mil euros.

Para além disso, em comunicado, o CENA-STE diz que a greve é também “pela criação de condições técnicas e funcionais de trabalho”, “pela criação de condições de segurança para trabalhadores e público”, “por mais espectáculos” e “melhor aproveitamento dos corpos artísticos à disposição”.

Ao que os trabalhadores presentes na conferência de imprensa desta terça-feira juntaram os problemas graves de insalubridade e falta de condições de trabalho a que são submetidos. Foi Carlos Pinillos, bailarino principal da Companhia Nacional de Bailado, quem colocou o dedo na ferida. No Teatro Camões, onde a companhia reside, “temos ratos a cair na plateia, no público, durante os espectáculos. Estamos a desviar infiltrações de água nos corredores e em áreas estratégicas de trabalho para as pessoas conseguirem trabalhar. Temos uma pala da entrada principal que caiu por completo no chão. A entrada principal foi fechada, o acesso do público ao teatro tem de ser feito por uma porta lateral, uma saída de emergência.”

A greve dos trabalhadores da Opart começou a 7 de junho e já levou ao cancelamento da ópera “La Bohème” no São Carlos e do Bailado “Nós como futuro”. Os trabalhadores falam num “rombo de meio milhão de euros ao erário público” devido ao cancelamento destes espetáculos. E sublinham que já há resultados como a integração dos precários inscritos no PREVPAP, a promessa de uma nova sala de ensaios para a Orquestra Sinfónica Portuguesa e do pagamento do trabalhado suplementar em falta desde 2013.

Graça Fonseca e a “vergonha” da desorganização estrutural do Opart

Esta quarta-feira, a Ministra da Cultura foi ao parlamento ser ouvida sobre esta questão. Admitiu ter “vergonha” pela “desorganização estrutural e fundacional” e “profunda desarticulação” das estruturas do Organismo de Produção Artística e acrescentou que isto é “culpa de muitos”.

Para resolver a questão, Fonseca aposta no novo Conselho de Administração constituído por André Moz Caldas, que era chefe de gabinete do ministro das Finanças, a diretora-adjunta do Conservatório Nacional, Anne Victorino d'Almeida, e Alexandre Miguel Santos, que era vogal da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos. Mas mantém a intransigência sobre a questão das diferenças salariais e trabalhadores, continuando a considerar ilegal a decisão do anterior Conselho de Administração e insistindo que não vai atribuir um “aumento salarial superior a 10% para alguns trabalhadores”.

A proposta que levou à greve mantém-se assim. Para a Ministra, ou os trabalhadores que viram reduzido o horário voltam a trabalhar 40 horas, ou mantêm o horário de 35 horas e aceitam reduzir o salário, ou mantêm as 35 horas e mas trabalham mais cinco num sistema de “banco de horas”.

Luís Monteiro: a mão invisível de Centeno por trás da Ministra

Nesta audição, o deputado bloquista Luís Monteiro questionou a Graça Fonseca sobre o “volte-face” do seu Ministério no caso da harmonização salarial no Opart e considerou que quem paga a fatura desta incoerência são os trabalhadores. Questionou também a presença da “mão invisível das Finanças por trás” das decisões e a razão pela qual se nomeou um adjunto direto de Mário Centeno da a Administração do organismo que gere a CNB e o São Carlos.

 

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