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Onze milhões de crianças menores de cinco anos em risco de fome extrema

A ONG Save the Children denuncia o crescimento da fome em países como o Afeganistão, Iémen, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Mali, Niger e Burkina Faso.
Uma mulher com o seu filho. Foto da Save the Children.
Uma mulher com o seu filho. Foto da Save the Children.

A Save the Children é uma centenária Organização Não-Governamental que reivindica estar presente em 117 países e ter 25.000 profissionais dedicados a responder a emergências, desenvolver programas inovadores e fazer campanhas no âmbito do combate à pobreza infantil. Num relatório apresentado esta segunda-feira, denuncia a existência de onze milhões de crianças com menos de cinco anos de idade em risco de fome extrema em onze países e apela a uma resposta “urgente e global” para “ajudar a evitar uma catástrofe humanitária”.

As contas da ONG foram feitas através de dados do Programa Alimentar Mundial e recorrendo à Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar. O facto de se restringir aos menores de cinco anos é explicado por se considerar este período decisivo para o seu desenvolvimento.

A organização humanitária salienta particularmente a situação de cinco “focos de fome” onde a crise alimentar é agravada pela insegurança: Afeganistão, Iémen, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Sahel Central (que abrange o Mali, o Niger e o Burkina Faso). Nestas zonas, os problemas derivados dos conflitos são agravados pela pandemia de Covid-19, que reduziu rendimentos e perturbou mercados, o que afetou “desproporcionalmente” as comunidades mais vulneráveis.

A Save the Children divulga ainda testemunhos de pessoas em situação de pobreza extrema e com dificuldades graves em alimentar os seus filhos. Por exemplo, Aker, de 38 anos, que vive em Abyei, no Sudão do Sul, explicou que frequentemente não tem nada com que alimentar as suas três crianças. Isto fez com que a filha de oito anos tenha sofrido de várias complicações associadas à malnutrição severa. Para a tratar, tiveram de andar 60 quilómetros a pé até à clínica mais próxima. A sua situação é “por causa de uma pobre colheita devida à seca de 2019 e depois às inundações de 2020.”

Também Saleh, habitante do Iémen, enfrentou problemas semelhantes devido à falta de alimentos, mas aqui por causa da guerra. O seu filho de dois anos adoeceu gravemente e não tinha dinheiro para o transportar para a clínica desta organização humanitária.

A sua diretora executiva, Inger Ashing, destaca o aumento de casos de fome, afirmando que o que se está a passar “ameaça atrasar anos ou décadas estes países nos seus esforços para reduzir a mortalidade infantil e aliviar a pobreza”. Para ela, muitas das razões principais para estes fenómenos são causadas pelo ser humano e “muitas das suas consequências para as crianças são evitáveis”. A responsável aponta o dedo aos conflitos armados e à insegurança, às alterações climáticas e aos fenómenos climáticos extremos e às recentes invasões de gafanhotos do deserto. “A situação é grave. Estamos perante a possibilidade real de milhares de crianças morrerem”, alerta.

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