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ONU volta a exigir fim do bloqueio a Cuba

Apenas EUA e Israel votaram contra. O bloqueio norte-americano a Cuba existe há 59 anos. O governo cubano defende que este já custou 138 mil milhões de dólares à economia do país. O Bloco saúda a decisão, considerando o bloqueio “uma forma de agressão ao povo cubano” e uma “inequívoca tentativa de ingerência nas escolhas soberanas do país”.
Cartaz contra o bloqueio norte-americano em Cuba. Foto de Doug Kaye/Flickr.
Cartaz contra o bloqueio norte-americano em Cuba. Foto de Doug Kaye/Flickr.

Uma maioria esmagadora da Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou esta quarta-feira uma resolução que exige o fim do bloqueio económico dos EUA a Cuba. O texto teve 184 votos a favor, dois contra e três abstenções. Apenas Israel se juntou aos Estados Unidos no voto contra. E só a Colômbia, a Ucrânia e os Emirados Árabes Unidos se abstiveram.

Não é a primeira vez que tal acontece. É, aliás, a vigésima nona. Desde 1992 que anualmente a Assembleia Geral da ONU expressa a mesma posição. Com exceção de 2020, em que a reunião não aconteceu devido à pandemia. Em 2019, tinha havido mais um Estado a votar contra, o Brasil, que desta feita não participou na votação.

Desde fevereiro de 1962, então por iniciativa de John F. Kennedy, que os EUA mantêm o bloqueio a Cuba. O governo de Biden tem mantido a política de hostilidade, apesar das esperanças de mudança que alguns setores nele tinham depositado. O atual presidente criticara a agressividade de Trump que intensificou as sanções, aprovando mais cerca de 250 medidas, restringindo viagens de turistas americanos e o envio de remessas e incluindo Cuba na lista de países que financiam o terrorismo. Biden não prometeu acabar com o bloqueio mas tinha-se comprometido a voltar atrás nas medidas de Trump, o que ainda não fez.

Rodney Hunter, coordenador político da missão dos EUA na ONU, voltou a defender na reunião desta quarta-feira a ideia de que as sanções são um "instrumento legítimo" da política externa, gabando o seu papel na luta pela liberdade dos cubanos: “os Estados Unidos estão com todos na defesa da liberdade de Cuba. Os cubanos, como todas as pessoas, merecem o direito à liberdade de expressão, reunião, cultura”, justificou.

De entre todas as vezes que a resolução foi a votos, apenas em 2016 os EUA se abstiveram. Em 2015, Barack Obama tinha restabelecido relações com Cuba. O embargo, que para ser revertido tem de ser sujeito a votação no Congresso norte-americano, não chegou a estar em causa.

Do outro lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, na sua conta do Twitter, considerou a votação como “uma grande vitória do povo cubano, da justiça e da verdade”. Segundo o ministro, “mais uma vez, nas Nações Unidas #ElMundoDiceNo à agressão e às políticas fracassadas dos Estados Unidos contra Cuba”.

Antes, durante a apresentação da resolução, tinha-se queixado da postura do governo norte-americano durante a pandemia: “o governo dos EUA assumiu o vírus como um aliado na sua guerra implacável, não convencional, deliberada. E, de forma oportunista, intensificou o bloqueio económico, comercial e financeiro”. Só o ano passado, o embargo causou, segundo o governo cubano, perdas económicas no valor de 9.157 milhões de dólares (perto de 7.600 milhões de euros), o maior valor de sempre. Desde o início do bloqueio, há 59 anos, terão sido 138 mil milhões de dólares.

Bloco saúda voto

Em comunicado, o Bloco de Esquerda saudou a decisão da Assembleia Geral da ONU e “insta à sua rápida implementação para, dessa forma, colocar um ponto final num embargo económico que dura há décadas e tem lesado profundamente os interesses do povo cubano”.

O partido considera o bloqueio económico, comercial e financeiro dos EUA a Cuba como “uma forma de agressão ao povo cubano” que “resulta numa inequívoca tentativa de ingerência nas escolhas soberanas do país”. A pandemia de Covid-19 agrava a situação e “exige ainda maior solidariedade entre países e povos”. É, conclui-se, “urgente o fim deste bloqueio e a posição largamente maioritária da Assembleia Geral da ONU não pode ser ignorada pelos EUA”.

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