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OMS e ONU querem plano global de vacinação

Apenas 0,6% das doses de vacinas foram administradas em países pobres, ao passo que 80% o foram nos países ricos. Guterres diz que “apenas um plano de vacinação mundial pode terminar com uma pandemia mundial e uma situação injusta e imoral”.
Vacinação global. Foto do Marco Verch/Flickr.
Vacinação global. Foto do Marco Verch/Flickr.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, defendeu, na abertura de uma reunião que juntou os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 e da China, que “apenas um plano de vacinação mundial pode terminar com uma pandemia mundial e uma situação injusta e imoral”.

Esta entidade contabilizava que a vacinação de um nível mínimo de 40% da população não foi alcançado em nenhum dos países considerados de rendimento baixo e foi apenas alcançada em 12 países com rendimentos médios, em 27 com rendimentos superiores e em 71 com rendimentos elevados. Guterres avançou que “apesar do desenvolvimento de vacinas eficazes num tempo recorde” a pandemia causou “mais mortos em 2021 em comparação com 2020” e defendeu o acesso às vacinas, aos testes e aos tratamentos contra o Covid-19 para todas as pessoas do mundo.

Para isso, um primeiro passo é cumprir o objetivo da Organização Mundial da Saúde de vacinar 40% da população de cada país até ao final de 2021 e 70% até meados do próximo ano. O presidente desta instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tinha já na passada segunda-feira voltado a criticar a desigualdade no acesso às vacinas que faz com que apenas 0,6% destas tenham sido administradas em países pobres, ao passo que 80% o foram nos países ricos.

O dirigente da OMS sublinha que “a igualdade na vacinação não é caridade, é no melhor interesse de todos os países”. Para ele, a Omicron, a nova variante da Covid-19, mostra que a situação é “perigosa e precária” demonstrando necessidade de cooperação e até de um novo acordo mundial “vinculativo legalmente” sobre pandemias dado que o “sistema atual desincentiva os países de alertar os outros face a ameaças que inevitavelmente acabarão por desembarcar nas suas costas”.

Em causa está ainda a questão das proibições de viagens de países da África Austral decidida pela União Europeia, pelos EUA, Canadá, Brasil, Indonésia, Reino Unido entre outros.

Ghebreyesus salienta que países como a África do Sul e o Botswana devem ser louvados pelo seu trabalho científico e não “penalizados”, esclarecendo que apesar do aumento sem precedentes de mutações presentes na variante Omicron do vírus, ainda não se sabe se esta é mais transmissível, se causa mais doença severa, mais reinfeções ou se escapa melhor às vacinas.

O que é certo para a OMS é que as proibições de viagens não funcionam. O seu porta-voz, Christian Lindmeier, diz que “neste momento, estamos a advertir contra a implementação de medidas sobre viagens” e que o caminho é “continuar a aplicar uma abordagem científica baseada na avaliação de risco”. Aconselha-se “utilizar as medidas que sabemos que funcionam: o uso da máscara sempre que possível e aconselhável, desde que se esteja numa sala com mais do que uma pessoa, ventilando uma sala, se possível, o mais frequentemente possível, mantendo a higiene normal das mãos e do corpo e especialmente a higiene bocal nessas circunstâncias”.

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