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OMS: Desigualdade no acesso às vacinas “cada dia é mais grotesca”

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde diz que pouco foi feito para evitar a “catástrofe moral” da distribuição de vacinas. Chefe do programa de vacinação britânico diz que as máscaras e distanciamento social vieram para ficar.
globo com máscara
Foto Nenad Stojkovic/Flickr

A desigualdade na distribuição das vacinas no mundo “cada dia é mais grotesca", afirmou esta segunda-feira o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde. Tedros Adhanom Ghebreyesus diz que ela está a aumentar e “pouco foi feito” para evitar a catástrofe moral” para que alertou em janeiro, apesar de existirem os meios para a prevenir.

"Alguns países estão a tentar vacinar toda a população enquanto outros não têm nada. Isto pode permitir [a esses países] uma certa segurança a curto prazo, mas na realidade é uma falsa segurança”, prosseguiu o responsável da OMS, por entre apelos ao aumento urgente da produção, distribuição e administração de vacinas para "derrotar o vírus".

Ghebreyesus lembrou ainda que o aumento da circulação das novas variantes do SARS-Cov-2 vai traduzir-se em mais resistência das vacinas. "O vírus vai ganhar tempo para mudar, e talvez as vacinas não vão funcionar", prevê o secretário-geral da OMS, citado pela agência Lusa.

Distanciamento e máscaras vieram para ficar

A chefe do programa de vacinação britânico afirmou à BBC que enquanto as outras partes do mundo não estiverem tão bem vacinadas como os países ricos, as medidas de distanciamento físico e uso de máscara terão de continuar.

“As pessoas já se acostumaram a este tipo de restrições e podem continuar a viver com elas”, referiu Mary Ramsay. Para a epidemiologista, “certamente que por alguns anos, pelo menos até outras partes do mundo estarem tão bem vacinadas como nós estamos e os números baixem em todo o lado, só aí poderemos ser capazes de regressar gradualmente a uma situação mais normal”. Ramsay alerta também para a necessidade de cautela quanto ao levantamento das atuais restrições aos grandes eventos públicos.

O ministro da defesa britânico também advertiu para o levantamento das restrições, nomeadamente a possibilidade de viagens de férias para o estrangeiro, admitindo a hipótese de estender a proibição para além de 17 de maio. Ben Wallace avisou a população que é “prematuro” agendar férias no estrangeiro, na sequência dos avisos dos conselheiros científicos do Governo, que consideram “extremamente improvável” que venham a ser autorizadas, dado o risco de os turistas trazerem no regresso novas variantes do vírus para as ilhas britânicas.

O Reino Unido alcançou este fim de semana um recorde de vacinação, com mais de 844 mil doses de vacina administradas no passado sábado. Mais de metade da população adulta - 27.6 milhões - já recebeu pelo menos uma dose da vacina e mais de 2.2 milhões já receberam a vacinação completa. “Num só dia vacinámos o equivalente à população de Liverpool, Southampton e Oxford todas juntas”, congratulou-se o responsável pelo serviço público de saúde britânica, Simon Stevens.

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