Quarenta e cinco anos volvidos desde o falecimento de Victor Jara, a justiça chilena responsabilizou pelo seu homicídio os soldados que ajudaram Augusto Pinochet a tomar o poder a Salvador Allende. Foram oito os ex-militares condenados a um total de 18 anos de prisão pelo sequestro e homicídio de Victor Jara e de Littré Quiroga Carvajal. A decisão do tribunal obriga ainda o Estado chileno terá de indemnizar em 1,8 milhões de euros os familiares das duas vítimas.
Os oito ex militares irão cumprir 15 anos de prisão pela autoria dos homicídios e outros três pelo sequestro das duas vítimas. Além destes, também um outro militar foi condenado a cinco anos de prisão por ter encoberto os assassinatos e sequestros.
Victor Jara era um conhecido músico e ativista comunista, simpatizante do Governo de Salvador Allende. Tinha 40 anos quando foi preso a 11 de setembro de 1973, o dia do golpe de Estado que depôs o executivo socialista e que abriu caminho para a ditadura de Augusto Pinochet.
Segundo o documento judicial, Jara foi brutalmente agredido durante os poucos dias em que esteve detido no estádio de futebol que tem hoje o seu nome – este recinto desportivo foi, aliás, usado como prisão de vários militantes de esquerda. Foi assassinado com mais de 40 tiros, tendo o seu corpo sido abandonado pelas ruas de Santiago.
Só em 1990, com o fim da ditadura de Pinochet, foi possível a Joan Turner, viúva de Jara, dar início a uma campanha de justiça pela morte de Victor Jara. O corpo foi finalmente exumado e autopsiado em 2009, tendo então um funeral que juntou mais de 12 mil pessoas.
Nos 17 anos da ditadura de Augusto Pinochet foram assassinadas 3 mil pessoas e torturadas outras 28 mil.