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Ocean Viking desembarca em Malta

O Ocean Viking resgatou 356 migrantes à deriva no mar ao largo da Líbia e ficou 20 dias parado no mar entre Itália e Malta à espera de autorização para desembarcar. Com os mantimentos a acabar, Malta permitiu finalmente o desembarque esta sexta-feira.
Cena a bordo do Ocean Viking. Foto: Avra Fialas/SOS Mediterranée/EPA/Lusa
Cena a bordo do Ocean Viking. Foto: Avra Fialas/SOS Mediterranée/EPA/Lusa

Com o caso do Open Arms quase resolvido, outro navio prosseguiu num impasse semelhante. O Ocean Viking, navio das organizações Médicos sem Fronteira e SOS Mediterrâneo, ficou 19 dias parado no mar entre Malta e Lampedusa, com 356 migrantes resgatados do mar a bordo. Esta sexta-feira, quando já só tinha mantimentos para quatro dias, viu a sua situação finalmente desbloqueada por Malta.

O Ocean Viking, de bandeira norueguesa, partiu a 4 de agosto do porto de Marselha para a sua primeira missão de busca e salvamento no Mediterrâneo. Recolheu 356 migrantes ao largo da Líbia, que estavam à deriva há quatro dias numa embarcação precária. São quase todos homens, em grande parte do Sudão, cerca de uma centena tem menos de 18 anos. Há também entre os resgatados quatro mulheres e cinco crianças, entre um e seis anos de idade.

Tal como o Open Arms, o Ocean Viking viu os portos de Itália e Malta fechar-se, fruto da política intransigente de portas fechadas do governo italiano capitaneada por Matteo Salvini, e secundada por Malta. Há quase três semanas aguardava autorização para desembarcar. A bordo, os Médicos sem Fronteiras têm garantido uma refeição quente por dia e distribuído açúcar e barras energéticas, mas muitos dos resgatados estão desidratados. O consumo de água está racionado, os banhos a bordo limitados a dois duches de 3 minutos por semana, para evitar que os reservatórios de água doce se esgotem. Durante o dia, o navio desliga os motores e mantém-se à deriva, para poupar combustível.

Portugal, França, Alemanha, Roménia, Luxemburgo e Irlanda manifestaram disponibilidade para receber os resgatados do Ocean Viking — o mesmo grupo de países que no caso do Open Arms, tirando Espanha e acrescentando a Irlanda. Em comunicado conjunto, os ministérios da Administração Interna e dos Negócios Estrangeiros portugueses apresentaram a decisão como um "gesto de solidariedade humanitária e de desejo comum de fornecer soluções europeias para a questão da migração e das tragédias humanas que se verificam no Mediterrâneo". Portugal está disponível para acolher até 35 dos 356 migrantes.

Já esta sexta-feira, pelas onze da manhã, os Médicos sem Fronteiras anunciaram no Twitter que a Malta deu finalmente autorização para desembarcar. O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, anunciou também no Twitter que os migrantes serão transferidos do Ocean Viking para barcos das forças armadas, transportados para terra, e daí transferidos para os países de acolhimento. "Nenhum vai ficar em Malta", sublinhou.

 

 

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