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Observatório contabiliza 14 mulheres assassinadas no primeiro semestre

Nos últimos 16 anos, houve 569 assassinatos de mulheres, 455 dos quais femícidios, 671 tentativas. “Teria sido possível preveni-los com uma atuação atempada tanto por parte da sociedade civil quanto por parte das autoridades”, diz o Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR.
Logotipo do Observatório de Mulheres Assassinadas.
Logotipo do Observatório de Mulheres Assassinadas.

Entre janeiro e junho de 2021 houve, segundo os dados recolhidos pelo Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, pelo menos 14 assassinatos de mulheres, seis dos quais em contexto de intimidade.

A estes somam-se 27 tentativas de assassinato de mulheres, 23 em contextos de intimidade. O OMA sublinha que estes dados são preliminares e que resultam da recolha de notícias publicadas na comunicação social. Esta entidade recolheu os números das notícias sobre “todas as mulheres que foram intencionalmente assassinadas” sendo que em parte delas não é possível identificar uma motivação de género. Noutros casos, foi possível chegar à conclusão que se trataram de femicídios, isto é, que o crime foi cometido por motivações de género.

O OMA tinha contabilizado, em 2020, 35 assassinatos de mulheres, 19 entre eles identificados como femicídios. A maior parte das vítimas de femicídio situa-se na faixa etária entre os 36 e 50 anos e em mais de metade dos casos (53%) havia já indícios de violência doméstica prévia. Três destas mulheres tinham feito denúncia às autoridades policiais. Destes femicídios resultaram nove crianças órfãs. No ano passado, das 57 tentativas de assassinato, 50 foram assinaladas como tentativas de femicídio.

Desde 2004 até 2020, segundo a mesma fonte, houve 569 assassinatos de mulheres, 455 destes foram femícidios. As tentativas de assassinato neste período foram 671.

De acordo com a UMAR: “muitos destes crimes ocorreram no contexto de violência prolongada no tempo, e teria sido possível preveni-los com uma atuação atempada tanto por parte da sociedade civil quanto por parte das autoridades. Estes resultados evidenciam a importância de continuar a analisar os dados sobre os assassinatos e femicídios cometidos em Portugal para visibilizar esta forma letal de violência de género e preveni-la de modo efetivo”, defende a organização.

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