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O tempo de espera nas urgências hospitalares é “desumano”

O Bloco anunciou esta segunda-feira que vai propor a criação de “serviços de urgência básica associados às urgências polivalentes ou medico-cirúrgicas nos hospitais”, para atender às necessidades dos utentes de forma mais rápida e adequada. Numa visita ao Hospital de Barcelos, João Semedo considerou que a transferência de hospitais para as misericórdias é “um risco tremendo para os utentes do SNS”.
O Hospital de Barcelos é um dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde que o Governo quer transferir para a gestão da Santa Casa da Misericórdia.

Em Braga, nas jornadas parlamentares em que o Serviço Nacional de Saúde está a ter destaque, João Semedo apontou críticas ao Governo, afirmando que o elevado tempo de espera que se verifica nas urgências dos hospitais portugueses se deve a equipas reduzidíssimas nos serviços, em consequência dos cortes orçamentais.

O coordenador do Bloco classificou como “desumano” o atual tempo de espera nos hospitais, ao qual não é alheio "o corte" nos horários de atendimentos dos centros de saúde.

“A nossa proposta é que os hospitais que dispõem de urgências polivalentes ou medico-cirúrgicas tenham, também, nas suas instalações um serviço de urgência básica que após a triagem do utente possa resolver o problema dos 46 por cento dos doentes que procuram as urgências”, declarou.

Segundo João Semedo, “a crise das urgências hospitalares traduz-se nas filas de espera que se encontram invariavelmente na maior parte dos hospitais”, realidade “que não é sazonal e que não tem a ver com a gripe, como tem afirmado o ministro da Saúde, Paulo Macedo”.

“É inegável que o primeiro fator que pesa - no elevado tempo de espera - é a redução das equipas. Há técnicos a menos porque o Governo impôs aos hospitais fortíssimos cortes”, disse, acrescentando que à redução de equipas nos hospitais se junta a “redução dos horários de atendimento nos Centros de Saúde”.

João Semedo considerou mesmo como “inaceitável” e “indigno deixar um doente sem soluções para o seu problema tantas horas”, lembrando relatos que dão conta de tempos de espera de “quatro, seis e vinte horas”.

Por isso, realçou, o Governo “em que olhar para o financiamento dos hospitais com outros olhos, porque poupar na doença, naqueles que precisam do Serviço Nacional de Saúde é desumano”.

Segundo o dirigente bloquista, “toda a gente sabe as longas horas de espera nas urgências”, menos os membros do Governo, que “desmentem a crise das urgências, porque quando adoecem não vão às urgências do SNS”.

Transferência de hospitais para as misericórdias é “um risco tremendo para os utentes do SNS”

À tarde, numa visita realizada ao Hospital de Barcelos, João Semedo apontou a falta de "vocação" das Misericórdias para gerir unidades hospitalares para doentes agudos.

O Hospital de Barcelos é um dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde que o Governo quer transferir para a gestão da Santa Casa da Misericórdia.

“O Bloco de Esquerda considera isso um erro. Se os hospitais do SNS forem transferidos para as Misericórdias isso significa um risco tremendo para os utentes do SNS porque se passará nesses hospitais o mesmo que já hoje se passa nos hospitais particulares quando atende os doentes da ADSE", avisou.

Segundo João Semedo, “os hospitais particulares discriminam os utentes da ADSE e favorecem os utentes das companhias de seguros ou os utentes particulares" pelo que, alertou, “se estes hospitais públicos do SNS no futuro forem geridos pelas Misericórdias sucederá o mesmo, haverá uma discriminação dos utentes do SNS”.

"É preciso também dizer que as Misericórdias não tem nenhuma vocação para gerir e administrar hospitais de doentes agudos, importantíssimos para as populações que servem", acrescentou.

No "entender" do Bloco “o que é público deve ser gerido pelo público, o que é privado deve ser gerido pelos privados e o que é social deve ser gerido pelo social”, terceira razão.

“Não achamos bem esta confusão que já há hoje e é bastante visível nos hospitais de Parcerias Público Privadas”, disse.

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