O secretário de Estado e o financiador do Chega

12 de julho 2024 - 12:52

José Cesário foi notícia esta quinta-feira por ter nomeado um secretário com posições a favor de Salazar e de Franco. Mas as suas ligações com a extrema-direita não ficam por aqui. O nome de César do Paço também entra nesta história.

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José Cesário
José Cesário/PSD.

José Cesário, ex-deputado há décadas, primeiro por Viseu e depois pelo círculo eleitoral Fora da Europa, atual secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, cargo que já tinha ocupado antes, sempre pelo PSD, nomeou um lóbista e confesso apoiante das ditaduras salazarista e franquista como seu secretário pessoal.

A sua figura já tinha sido associada antes à extrema-direita devido às suas ligações com César do Paço, financiador do Chega como tinha sido revelado numa investigação da Visão/SIC e que tentou através dos tribunais apagar a referência a estes donativos da página da Wikipedia.

O Interior do Avesso analisava em janeiro de 2021 como as duas figuras se cruzavam. Foi em 2014, com o Governo Passos Coelho/Paulo Portas, com José Cesário no seu papel de secretário de Estado das Comunidades que César do Paço, que se quer fazer conhecer como Caesar DePaço, que foi nomeado “cônsul honorário de Portugal em Palm Coast”, na Florida, Estados Unidos da América.

Para além disso, Cesário foi membro do conselho consultivo da Fundação dePaço, uma iniciativa do multimilionário que não estava formalmente constituída mas que era propagandeada online, tendo esta página de Internet sido depois sido apagada. O mesmo órgão era integrado por Nuno Melo que acabou por sair, Carlos Gonçalves do PSD e Diogo Pacheco de Amorim do Chega.

Cesário considerou César de Paço como “um grande empresário” e “altruísta”. Um altruísmo que chegou aos bolsos de André Ventura. Fez um donativo de 10.480,50 euros ao Chega, o máximo que a lei permite, enquanto publicava nas redes sociais fotos com o líder da extrema-direita, participando num comício do partido no mercado Ferreira Borges no Porto em 25 de janeiro de 2020.

O empresário mantém atualmente laços pessoais com o deputado do Chega nos Açores José Pacheco. Mas a sua ligação maior conhecida era com o ex-líder da distrital do Porto. José Lourenço, que se desfilou do partido em 2021 quando estava a ser alvo de procedimentos disciplinares. O Público escrevia então que “Lourenço, que já foi militante do CDS e era amigo próximo de Nuno Melo, era tido, até há três meses, como um dos nomes fortes e próximos de André Ventura. Envolvido em negócios imobiliários e consultoria, foi o líder portuense quem apresentou ao presidente do Chega o empresário açoriano radicado nos Estados Unidos e ex-cônsul César do Paço – acerca do qual tem havido notícias sobre o seu financiamento ao Chega através de contas do CDS”.

O mesmo Lourenço gabava o apoio de do Paço às forças de segurança, escrevendo-se na Visão que este “apoia o Movimento Zero e é membro honorário e consultor da Associação Portuguesa de Criminologia, organização em que convivem dirigentes do Chega, elementos da Polícia Judiciária e militares experientes”.