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“O que choca as pessoas é saber que foram 25 mil milhões de euros para a banca”

No debate com António Costa, Catarina Martins alertou para os perigos da maioria absoluta, criticou a falta de contas do programa do PS e garantiu que o Bloco está sempre disponível para soluções que permitam estabilidade de salários e pensões. O secretário-geral do PS apelou ao reforço do seu partido, manifestou-se contra nacionalizações e deixou sem resposta a crítica aos gastos com a banca.
Debate entre António Costa e Catarina Martins, moderado por António José Teixeira - Foto Paula Nunes
Debate entre António Costa e Catarina Martins, moderado por António José Teixeira - Foto Paula Nunes

No vivo debate travado entre António Costa e Catarina Martins, a coordenadora bloquista começou por assumir e defender a política seguida pelo Bloco nos últimos quatro anos e os acordos estabelecidos com PS, PCP e Verdes, sublinhando as condiçẽos diferentes de há quatro anos.

“Estamos orgulhosos do caminho destes 4 anos e assumimo-lo por inteiro com as suas facilidades e com as suas dificuldades”, afirmou a deputada, reconhecendo fracassos, “como no caso dos professores e dos precários” e apontando erros “como no caso do Novo Banco ou do Banif”. “Mas começámos a fazer um caminho de viragem tão importante em matérias como o salário mínimo ou as pensões” destacou, salientando ainda os passes dos transportes e a descida do IRS.

“O Bloco de Esquerda não falta a nenhuma solução que puxe pelas condições do emprego, do salário, pela estabilidade das pessoas”, salientou Catarina Martins, lembrando que “nesta legislatura o Bloco de Esquerda foi o partido que aprovou mais projetos de lei” e reafirmando o orgulho pelo trabalho com o PS e o PCP.

“Deixámos sementes para o futuro” destacou a coordenadora bloquista, lembrando que “ainda esta semana foi publicada a lei que permite o fim das taxas moderadoras a partir de 2020 e hoje mesmo foi publicado o estatuto do cuidador informal”.

“Se o PS tivesse tido maioria absoluta tinha cortado aqueles 2.550 euros da contribuição patronal para a segurança social e tinha congelado as pensões” afirmou a deputada, considerando que “tinha sido até mau para o PS”.

Não será como antes”

António Costa também avaliou positivamente os últimos quatro anos, destacando que quando se candidatou a secretário-geral do PS em 2014 tinha defendido “acabar com o arco da governação”.

“Cumprimos todos os compromissos com os portugueses, com os parceiros e com a União Europeia”, afirmou o secretário-geral do PS, considerando que “é necessário o PS ter força, porque é o fiel do equilíbrio desta solução que permitiu repor rendimentos”.

Questionado pelo jornalista moderador António José Teixeira, se voltará a entender-se com os atuais parceiros, António Costa disse que “nada será como dantes” e falou de “diálogo amplo”.

Catarina Martins apontou que “quem constrói os resultados é quem vota”, lembrando que o que permitiu a solução de há quatro anos, foram os resultados de 2015, e sublinhando que na altura “o PS apresentou o seu programa mais à direita de sempre e acabou por ter uma governação diferente em algumas matérias”. “Uma maioria absoluta é negativo” apontou a coordenadora bloquista, referindo que o Bloco “assumiu enorme responsabilidade” e exemplificou com “o chamado imposto Mortágua – imposto sobre o património imobiliário de luxo, que vai arrecadar este ano 180 milhões de euros e o aumento extraordinário das pensões são 134 milhões”.

Nacionalizações é um consenso à esquerda

O debate concentrou-se depois sobre as nacionalizações.

“Não percebo como é que o Bloco de Esquerda se propõe ir contrair dívida para nacionalizar um conjunto de empresas, por exemplo gastar 10 mil milhões a nacionalizar a GALP”, criticou António Costa, considerando que esse montante é semelhante à despesa corrente do SNS.

“Não quero nacionalizar a GALP”, afirmou o secretário-geral do PS, argumentando que o investimento no SNS é insuficiente.

Catarina Martins respondeu à crítica de António Costa sobre os gastos do programa do Bloco com nacionalizações, defendendo que “contas certas são muito importantes”, afirmando que o Tribunal Constitucional aponta que o Bloco tem contas certas. “E nesta questão começa-se em casa”, afirmou, criticando o facto de o PS não apresentar contas no seu programa.

“O que choca as pessoas é saber que nos últimos anos, dados do Banco de Portugal, foram 25 mil milhões de euros para a banca”, recordou Catarina Martins, considerando que isso é um “escândalo” e sublinhando a necessidade de investimento.

“Nacionalizações é um consenso à esquerda. Defende o Bloco, defende o PCP e acho que o PS percebe a sua necessidade” salientou a coordenadora bloquista, recordando que “o PS percebeu a necessidade de reverter privatização de transportes coletivos” e que “não precisou de nacionalizar toda a TAP para ter o seu controle”.

Catarina Martins afirmou a seguir que o que propõe o Bloco de Esquerda é bastante razoável, com “prioridade à privatização dos CTT”, que “foram vendidos por 920 milhões de euros e hoje já não valem metade”, “estão a ser destruídos e não cumprem nenhuma regra”. “O PS sabe que vai ter de agir”, sublinhou.

A coordenadora bloquista explicou também que o Bloco propõe a nacionalização do “sistema global de gestão da energia da REN”, e não de toda a REN de início, porque é muito grande.

“O problema não é nacionalizações, porque nacionalizada a REN já está, só que é uma nacionalização chinesa, porque é o governo chinês que controla a energia em Portugal”, acusou Catarina Martins, considerando que o que “o Bloco propõe é que com 50 milhões tenhamos o sistema global de gestão da REN”. “Não é uma má ideia”, considerou.

António Costa continuou a discordar sobre as nacionalizações. “O Bloco propõe a emissão de dívida pública estendida ao longo do tempo no total de 27.537 milhões de euros para nacionalizar a ANA, os CTT, a REN, a EDP e a GALP”, disse, afirmando que não vai gastar esse dinheiro e argumentando com a necessidade de concentrar gastos na escola pública e no SNS. Mas não respondeu à crítica sobre os gastos com a banca.

 

No final do debate, Catarina Martins declarou:

“Há uma certeza que toda a gente tem: o Bloco de Esquerda estará sempre disponível para soluções que permitam estabilidade do salário, da pensão, capacidade dos serviços públicos, responder pela vida das pessoas, que seguramente a direita não contará nunca com o Bloco de Esquerda, mas também se sabe que ninguém terá cheques em branco”.

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