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"O problema de Portugal são os donos do país"

A finança e o poder político são “irmãos gémeos” na constituição da riqueza, eis a conclusão do livro Os donos de Portugal, resumiu Francisco Louçã, um dos cinco co-autores do livro lançado esta quarta-feira, e para quem a cultura do privilégio “conduziu à crise”.
Para Fernando Rosas, “este é um ensaio sobre os últimos 100 anos de luta entre o poder económico e o poder político”. Foto André Beja

“Se um em cada cinco dos ministros e dos secretários de Estado que tomaram todas as decisões sobre economia em 30 anos passou pelo BCP e um em cada dez pelo BES, percebemos que a Finança e o poder foram sempre irmãos gémeos nesta constituição da riqueza e do privilégio, e é essa história concreta que esse livro conta”, afirmou Francisco Louçã.

Os donos de Portugal, cem anos de poder económico 1910- 2010, livro co-escrito por cinco dirigentes do Bloco de Esquerda - Jorge Costa, Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas - foi lançado esta quarta-feira, na Livraria Buchholz, em Lisboa, e apresentado por Fernando Oliveira Baptista.

"Os donos de Portugal são os donos dos governos”, resumiu Louçã aos jornalistas, sublinhando que nos últimos 100 anos escreveu-se “uma história permanente do apoio do Estado à formação da riqueza”. A “interpenetração das famílias” detentoras do poder económico é outra das conclusões da obra.

“Descobrimos, sem surpresa, que Mello e Champallimaud são a mesma família, que também se cruzam com os Espírito Santo, com os Pinto Basto, com os Ulrich. As famílias da burguesia portuguesa são quase todas a mesma família”.

“É uma oligarquia financeira fortíssima, protegida pelo Estado, apoiada pelo Estado, financiada pelo Estado, vivendo de rendas do Estado, uma grande família que tem dominado Portugal ao longo de 100 anos”, sustentou.

A actualidade do estudo, sublinhou Francisco Louçã, é a demonstração de que “o que fracassa no nosso país é o favorecimento, é a riqueza, é o privilégio”.

“O privilégio conduz-nos à crise, porque significa uma economia sem ambição, uma economia sem projecto, sem desenvolvimento”, afirmou, em que “uma família de famílias, praticamente todos cruzados por casamentos ou alianças, ao longo de 100 anos, foram os donos do pais e voltaram a ser os donos do país agora”.

O livro pretende demonstrar, afirmou Francisco Louçã, que “quanto maior é o seu poder maior é a debilidade de Portugal e maior é a inconsistência da economia portuguesa”.

Para Fernando Rosas, “este é um ensaio sobre os últimos 100 anos de luta entre o poder económico e o poder político”.
 

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