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“Novo modelo económico tem de assentar na investigação e tecnologia”

No debate realizado este sábado na RTP/Açores com Duarte Freitas, do PSD, a candidata do Bloco disse que é preciso atrair mais médicos para a região através do investimento nas carreiras e numa política salarial mais atrativa.

Referindo-se às debilidades do Serviço Regional de Saúde (SRS) que não conseguiu ainda garantir um médico de família a todos os açorianos, Zuraida Soares disse que é "necessário um diálogo" que envolva a Ordem dos Médicos, o governo regional, os enfermeiros e os sindicatos do setor para perceber onde é que "estamos a errar na fixação de médicos na nossa região".

“É só uma questão monetária, de carreiras, de formação disponibilizada em diferentes especialidades para os médicos”, interrogou-se a coordenadora do Bloco Açores, para logo de seguida referir que não tem dúvidas que estamos a “errar em algum lado” até porque os apoios económicos não são tão “escassos, tão pequenos como isso”.

“Se fizermos as contas aos custos que esta falta de médicos tem para o Serviço Regional de Saúde (SRS), ficamos a perceber que é fundamental investir nas carreiras, formação e  apoios logísticos para promover a fixação de médicos”, afirmou.

Zuraida Soares referiu-se ainda ao facto de o hospital ser a área mais cara para o SRS mas é para os hospitais que "todos os nossos doentes são empurrados porque os centros de saúde não estão abertos às 7 horas para atender uma situação de emergência".

Perante esta situação, a candidata bloquista disse ser necessário ter atenção aos custos relacionados com a sobrecarga dos hospitais, em horas extra que resultam da falta de médicos, ao desgaste do pessoal, ao cansaço, à saturação e aos erros médicos porque as pessoas são humanas.

"Tudo isto tem custos a que se juntam os baixos salários dificultando, desta forma, a possibilidade de ter mais médicos nos Açores”, sublinhou, tendo acrescentado que “ é necessário ter uma política salarial que leve a que os médicos que se formam  venham para a região em vez de saírem para o estrangeiro onde logo no início da sua atividade ganham muito mais".

Um novo paradigma económico

No que diz respeito ao desenvolvimento económico dos Açores, Zuraida Soares começou por afirmar que no programa do Bloco existe a pretensão de implementar um "novo paradigma" para a economia da região pondo, desta forma, um fim ao velho modelo "assente em produtos com baixo valor acrescentado, pouca diversificação, insistência na monocultura e salários baixos".

“Este é o modelo que temos”, disse a candidata para de seguida afirmar que é preciso caminhar para termos uma economia que "tenha por base o conhecimento, a investigação e toda a tecnologia daqui decorrente para aumentar a capacidade de gerar riqueza".

“Temos de atrair empresas que tragam produtos com valor acrescentado e que possam usufruir do conhecimento do Centro Internacional das Ciências do Mar”, afirmou.

A candidata bloquista acentuou ainda a necessidade de que essas empresas venham para os Açores beber do "nosso conhecimento e pagá-lo", referindo que é igualmente importante o estabelecimento de parcerias suscetíveis de criar emprego.

“Falamos de trabalho qualificado e não de empregos mal pagos, assentes numa monocultura com escasso valor”, afirmou, tendo acrescentado que “é importante rentabilizar o porto da Praia da Vitória e a Base das Lajes para implantar um plataforma logística de apoio à aviação civil e ao transporte marítimo".

“O conhecimento que for aqui produzido é nosso e por isso somos nós que o devemos partilhar com o mundo e não devemos aceitar a vinda de umas sucursais cujo único objetivo é explorar as nossas riquezas", disse.

Seguindo este raciocínio, Zuraida Soares afirmou também que "é tempo de, pela primeira vez, olhar para esta região e para as suas riquezas endógenas e fazer algo com elas, por nós e para nós”.

 

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